O deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) assinou um contrato de opção de compra futura de 4% de participação no Iter, instituto jurídico fundado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 2023.
A informação foi publicada pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.
O documento foi localizado pela Polícia Federal (PF) durante a operação de busca e apreensão realizada contra Cezinha e a advogada Valéria Linhares. As medidas foram autorizadas pelo ministro Flávio Dino em investigação que apura suspeitas de comercialização de influência junto a integrantes de tribunais superiores.
Segundo a assessoria de Mendonça informou à Folha de S.Paulo, o acordo não tornou Cezinha sócio do instituto. Pelo contrato, o deputado teria a possibilidade de adquirir 4% da instituição futuramente, mas a operação só seria efetivada caso ele deixasse a política.
A previsão era que a eventual saída ocorresse em 2027, quando Cezinha deixaria o cargo de deputado federal.





Deputado Cezinha de Madureira (PL-SP)
Cezinha de Madureira, presidente da Comissão de Viação e Transporte
BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFotoComo funcionaria a compra
Ainda segundo a explicação apresentada pela assessoria de Mendonça, Cezinha depositou R$ 19.353 ao ministro como caução, valor correspondente a 1% da participação prevista no contrato.
Os 3% restantes seriam adquiridos de outros sócios do Iter. A assessoria afirma que o parlamentar não poderia integrar o quadro societário da instituição enquanto estivesse exercendo atividade política.
Dessa forma, o acordo previa uma eventual entrada de Cezinha no instituto somente após o fim do mandato parlamentar e da atuação política, segundo a versão apresentada pela defesa de Mendonça.
A localização do contrato pela PF acrescenta um novo elemento à investigação que apura a relação do deputado com integrantes de tribunais superiores.
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Investigação da PF
A operação contra Cezinha e Valéria foi autorizada por Dino em 14 de setembro. A investigação apura suspeitas de negociação de influência junto a ministros de cortes superiores, incluindo o STF, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Um mês antes da operação, agentes da PF apreenderam no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, uma bagagem de mão transportada por Valéria com R$ 510 mil em espécie. Cezinha nega irregularidades e afirma que a investigação deverá demonstrar que não houve prática ilícita.
A relação entre Cezinha e Mendonça também é investigada a partir de um encontro entre o ministro e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O deputado intermediou a reunião, realizada em março de 2025. Mensagens obtidas a partir do celular de Vorcaro mostram que Cezinha participou das tratativas para marcar o encontro.
Em uma das conversas, o parlamentar informou ao empresário a data e o horário da reunião. No dia marcado, Vorcaro avisou que estava a caminho, e Cezinha respondeu que Mendonça já o aguardava.
Mendonça confirmou ter recebido o empresário e afirmou que se limitou a ouvi-lo. Segundo a versão apresentada pelo ministro, a conversa envolveu um processo relacionado a precatórios de interesse do Banco Master.

