“Eu teria que ter matado muita gente se dependesse de todos os amantes dela”. A frase foi dita pelo ex-deputado Carlos Xavier na noite desta quarta-feira (23/9), por volta das 20h, durante o depoimento no Tribunal do Júri pela morte do adolescente Weverton. A declaração ocorreu enquanto Xavier relatava a separação da ex-mulher e fazia acusações sobre supostos relacionamentos dela com outros homens.
Xavier afirmou que ainda era casado e morava com a mulher, mas que os dois estavam “separados de corpos”. Segundo o ex-deputado, ele descobriu que a esposa mantinha relacionamentos com outros homens e citou um deles, identificado como Renan, como o motivo da separação.
“Ela tinha caso com outro rapaz chamado Renan que foi o motivo da separação.”
Foi nesse contexto que Xavier falou sobre os supostos amantes da ex-mulher:
“Eu teria que ter matado muita gente se dependesse de todos os amantes dela.”
Xavier também relacionou a morte de Weverton ao período posterior à separação. Segundo ele, o adolescente morreu oito meses depois do fim do casamento e não teria sido o homem que motivou a separação.
“Ele morreu 8 meses depois que eu separei e ele nem foi o amante que fez eu separar.”
Durante a oitiva, familiares de Weverton choraram e demonstraram revolta com as declarações. O pai do adolescente precisou deixar o plenário.
Igreja e enterro
Xavier afirmou que esteve no enterro de Weverton. O velório ocorreu na igreja que o ex-deputado frequentava, segundo o relato dele. Ao falar sobre o templo, Xavier disse que o espaço também funcionava como ponto de apoio para sua campanha política.
“Sou cristão. Na minha campanha eleitoral lá era um ponto de apoio pra minha política. Fui criado dentro da igreja.”
Durante o relato sobre a igreja, Xavier mencionou ainda uma turma de jovens ligada à esposa, que, segundo ele, se reunia e festejava com uso de drogas.
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Oito testemunhas
O interrogatório de Xavier ocorreu depois que oito testemunhas, todas policiais que participaram da investigação, foram ouvidas durante a tarde.
Os depoimentos apresentaram divergências sobre a dinâmica do crime. A delegada aposentada Lúcia Antônia de Moraes, que coordenou a investigação, afirmou que a primeira impressão da equipe era de uma execução.
“Quando nós chegamos ao local e começamos a analisar as circunstâncias em que o corpo foi encontrado, a primeira impressão que tivemos foi de que aquilo tinha características de uma execução.”
Já o delegado aposentado Hertz Andrade Santos, que depôs pela defesa, apontou elementos que, segundo ele, poderiam indicar latrocínio, como o fato de Ewerton estar sem roupa e sem os pertences.
Laerte Bessa, ex-diretor da Polícia Civil do DF, afirmou que as interceptações telefônicas analisadas na época não identificaram contato entre Xavier e os criminosos. Os promotores questionaram se uma eventual articulação poderia ter ocorrido sem registros telefônicos.
Mário Gomes, que integrou a equipe de investigação e atualmente é advogado, voltou a defender a hipótese de execução e citou o tiro na nuca como um dos elementos que levaram os investigadores a essa conclusão.
“Quem é policial sabe que um tiro na nuca não é de praxe de latrocínio.”
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