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Loterj rescinde com empresa de Willer Tomaz após sumiço de R$ 20 milhões

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Loterj rescinde com empresa de Willer Tomaz após sumiço de R$ 20 milhões

A Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj) decidiu encerrar, de forma unilateral, o contrato que garantia à RioPag o monopólio do serviço de meio da pagamento para as casas de apostas credenciadas pelo estado.

Como mostrou a coluna, o contrato chegou a permitir à RioPag faturar mais de R$ 30 milhões em um único mês de uma única bet quando o Rio ainda permitia que as casas licenciadas ali atuassem no país inteiro, o que depois foi derrubado pelo STF.

Willer Tomaz, que é o único acionista conhecido do grupo econômico da RioPag, atuava diretamente na tentativa de atrair outras bets para o estado, assegurando que o Rio venceria a queda de braço com a União e seguiria podendo oferecer uma licença mais barata do que a nacional.

Na prática ela era mais cara, porque a intermediária, que ficava com até 2,5% de cada transação entre apostadores e casas de apostas, custava às bets até três vezes o que elas pagavam de impostos estaduais. As bets licenciadas pela União podem escolher as intermediárias, que cobram taxa de cerca de 0,20%.

Em janeiro do ano passado, quando havia expectativa pelo início da operação das chamadas videoloterias – na prática, a legalização de parte dos caça-níqueis controlados pelos bicheiros no estado -, o então presidente da Loterj, Hazenclever Cançado (PL), enviou um breve ofício à RioPag pedindo que ela parasse de pagar a parcela do arrecadado que cabia à autarquia.

Só em abril deste ano, com Hazenclever exonerado – ele agora concorre a deputado federal – e o desembargador Ricardo Couto como governador, é que a Loterj pediu para receber os cerca de R$ 20 milhões represados. A RioPag primeiro não respondeu, depois pediu mais prazo e enfim sugeriu um parcelamento, alegando que não tinha o dinheiro à mão – contrariando o que ela informava mensalmente à Loterj.

Quando esta coluna noticiou o fato e procurou Willer, que atua como advogado da RioPag, ele disse que o dinheiro estava investido no Santander com trava de seis meses e só poderia ser resgatado em outubro. A partir dessa nova informação, a Loterj pediu o bloqueio dos bens da RioPag, autorizado pela Justiça, que não encontrou a verba no sistema bancário.

A RioPag enfim fez um depósito de cerca de R$ 16 milhões a partir de uma empresa de pagamentos em tese concorrente dela. E defendeu que não precisaria corrigir os valores dos últimos um ano e meio, já que o pedido de Hazenclever – com quem Willer advogou antes de chegar à Loterj – não citava essa necessidade.

Foi esse o cenário que um processo administrativo da Loterj discutiu. Após ouvir a defesa da RioPag, a autarquia reconheceu “infrações relacionadas à ausência de transparência e à prestação incompleta de informações necessárias à fiscalização“, a “criação de embaraços ao exercício do poder-dever de fiscalização da Administração“, a” realização de atos de gestão financeira sobre recursos públicos sem demonstração de fundamento contratual ou autorização administrativa específica” e a “alteração unilateral do fluxo financeiro contratualmente estabelecido“.

Tais condutas, para a Loterj, são caracterizadoras de inadimplemento contratual grave, reiterado e injustificado e falha na execução contratual, daí a necessidade de rompimento unilateral. A RioPag agora tem dois dias úteis, no máximo, para promover a transição integral e ordenada das atividades para a nova prestadora de serviços que vier a ser contratada.

A empresa ainda foi multada em 15% do valor do contrato, ou seja, R$ 4,8 milhões. Além disso, ela deve devolver à Loterj mais de R$ 2,1 milhões referentes a ganhos financeiros durante o período em que o dinheiro da autarquia ficou represado com a RioPag. Considerando ainda juros e valores devidos, a Loterj cobra R$ 9,4 milhões.

Willer reconheceu à coluna que é um dos beneficiários da RioPag: é acionista do fundo que investe na Capital Pretium SA, que por sua vez é a dona da RioPag. A Capital Pretium é administrada por Lidia Mazelli, que atua como administradora profissional para Willer Tomaz. Quando questionado pela coluna, o advogado não informou o nome do fundo, nem detalhou quem são seus parceiros no negócio.

Willer virou um calcanhar de Aquiles para Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições. O advogado, que foi alvo de uma operação da Polícia Federal na Farra do INSS, é investigado por ser “hub financeiro, patrimonial e logístico” do senador Weverton Rocha (PDT), um dos pivôs do escândalo.

Como revelou o jornal O Globo, a Polícia Federal identificou cinco viagens internacionais realizadas por Willer e Flávio juntos só no primeiro semestre de 2025. Uma delas, para um safari na África, com Weverton e as respectivas famílias. Outra para os EUA ocorreu em jatinho da Prime You, empresa de viação executiva que teve Daniel Vorcaro entre seus sócios.

A última festa de aniversário da filha da Flávio também aconteceu em uma casa da Prime You, cedida por Willer Tomaz, como revelou o ICL. Enquanto candidato, Flávio ficou em um apartamento de Willer em São Paulo que antes pertencia a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, pelo que noticiou a Piauí.

Procurados pela coluna, Willer Tomaz e a RioPag não responderam.

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