Últimas

CNJ mantém condenação de capitão que atuou como médico militar sem diploma

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
CNJ mantém condenação de capitão que atuou como médico militar sem diploma

Belo Horizonte – O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) rejeitou o pedido apresentado pelo capitão do Exército Wilson Pereira do Carmo Júnior, de 49 anos, natural de Governador Valadares, no Vale do Rio Doce. O militar tentou questionar administrativamente a forma como o Superior Tribunal Militar (STM) analisa recursos relacionados à condenação que recebeu por ter exercido a função de médico militar sem concluir a graduação em Medicina.

A defesa não contestou diretamente a condenação. O objetivo era modificar o formato de julgamento adotado pelo STM, com a criação de Turmas para analisar recursos, em vez da concentração dos processos no plenário da Corte. Como alternativa, o capitão também pediu que os ministros que participaram da condenação em 2022 fossem impedidos de analisar os chamados embargos infringentes.

O pedido foi rejeitado pela maioria do CNJ. O julgamento virtual, relatado pelo conselheiro Ilan Presser, foi encerrado na sexta-feira (18/9). Segundo o relator, a Constituição garante aos tribunais autonomia para definir sua organização interna. Ele também destacou que a legislação referente ao STM permite, mas não determina, a criação de Turmas.

Carreira militar começou antes da conclusão do curso

O caso teve início em 2004, quando Carmo Júnior entrou para o Exército como aspirante a oficial médico temporário. Na época, ele havia iniciado o curso de Medicina na Universidade Federal Fluminense (UFF), em 1995.

A matrícula do militar na universidade, porém, foi posteriormente cancelada por abandono, em 2009. Mesmo sem ter concluído a graduação, ele continuou na carreira dentro do Exército e chegou a ocupar postos destinados a profissionais da área médica.

Ao longo dos anos, Carmo Júnior alcançou a patente de capitão e também trabalhou como perito. Entre 2013 e 2016, realizou uma pós-graduação em Radiologia no Hospital Central do Exército.

Hospital Militar São Paulo
Hospital Militar de Área de São Paulo onde o capitão atuou por 15 anos

Posteriormente, passou a comandar o Setor de Diagnóstico por Imagem do Hospital Militar de Área de São Paulo. A atuação se estendeu por cerca de 15 anos até que a situação envolvendo sua formação acadêmica resultasse na condenação pela Justiça Militar.

Na decisão sobre o pedido apresentado ao CNJ, o relator afirmou que determinar uma mudança na estrutura de julgamento do STM representaria interferência na autonomia administrativa da própria Corte sem fundamento jurídico considerado suficiente.

CNJ mantém condenação de capitão que atuou como médico militar sem diploma — Radar Olhar Aguçado | Radar Olhar Aguçado