A perícia da Polícia Científica do Paraná identificou a substância tóxica fenol nas roupas do piloto Gustavo Henrique Lara, que morreu após um trote de “banho de óleo” em Ponta Grossa (PR), informou a Polícia Civil. A “brincadeira” é feita tradicionalmente com alunos que se formam em escolas de aviação.
O laudo da perícia aponta que as roupas de Gustavo estavam embebidas pela substância e que as lesões na pele do piloto são compatíveis aos efeitos de exposição ao fenol.
“O laudo de necrópsia apontou que o Gustavo morreu porque as vias aéreas dele incharam a ponto de impedir a respiração em decorrência de uma exposição química. O mesmo laudo descreveu queimaduras químicas em várias partes do corpo. Agora, em nosso segundo laudo, da Química Forense, foi detectada a substância fenol nas vestes da vítima”, informou o delegado Lucas Petri, da Polícia Civil do Paraná.
O fenol é uma substância química tóxica, corrosiva e pode causar intoxicação e queimaduras químicas.
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O caso ocorreu em 16 de julho. Gustavo havia acabado de finalizar o primeiro voo solo, marco na formação de pilotos. Ele sofreu uma reação anafilática, um tipo grave de alergia, e teve uma crise convulsiva seguida de três paradas cardiorrespiratórias. As duas primeiras foram revertidas, mas ele não resistiu à terceira.

A polícia investiga de onde veio o fenol no óleo de motor jogado em Gustavo e se teve relação direta com a morte. “Para isso, pedimos exames complementares à Polícia Científica, inclusive novos exames toxicológicos e esclarecimento técnico aos peritos. Outras diligências estão em andamento e seguem sob sigilo para não prejudicar a apuração”, complementou o delegado.
À época, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) se manifestou sobre o caso e ressaltou que escolas de aviação não devem em hipótese alguma realizar o trote com óleo de motor em contato com a pele das pessoas. “O uso desses produtos durante rituais de celebração traz riscos à saúde das pessoas, podendo inclusive levar a óbito”, alertou a agência em nota.

