Florianópolis e Joinville – Nesse sábado (19/9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) realizaram atos políticos ao mesmo tempo em Santa Catarina. Enquanto o petista passou por Florianópolis, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro foi ao interior do estado, em Joinville e Chapecó.
Lula criticou o agronegócio, setor importante para a economia catarinense, ao lado de Gelson Merísio (PSB), candidato ao governo de Santa Catarina apoiado pelo presidente.
O petista disse que colocou Merísio na disputa para “desmascarar” o atual governador, Jorginho Mello (PL), que busca a reeleição.
“Eu coloquei ele [Gelson Merísio] candidato a governador para desmascarar o seu Jorginho aqui e para discutir com o agronegócio”, disse Lula.
Na mesma fala, o presidente sugeriu que Merísio conversasse com representantes do setor para perguntar por que o agronegócio não gosta deles.
Lula insinuou que a rejeição de parte do agronegócio a ele não teria motivação política ou ideológica, mas estaria relacionada ao fato de ele ser “nordestino ou pobre”.
“Por que eles não votam em nós? Porque o problema contra nós acho que é uma questão de pele. É porque eu sou nordestino? Ou porque eu sou pobre? Porque, se dependesse de dinheiro do governo, eles deveriam não só votar, mas se ajoelhar pra mim”, declarou Lula.
O presidente continuou e afirmou que nunca houve tantos recursos destinados ao setor quanto em seu governo.
“Nunca houve tanto dinheiro para a agricultura como agora, nunca houve […] Os três maiores investimentos de crédito [para o setor] foram no meu mandato, para o grande negócio e o pequeno negócio”, afirmou Lula.





Presidente Lula assina decreto que reajusta valores do Bolsa Família
Ricardo StuckertFlávio Bolsonaro
Reprodução/Youtube/Flávio BolsonaroFlávio rebateu Lula e disse que petista representa uma ameaça
À tarde, em Chapecó (SC), Flávio rebateu e atacou o opositor. Segundo ele, a fala do presidente indica que Lula representa uma ameaça ao Brasil e ao agronegócio.
“Eu digo que as ideias velhas dele, esse governo velho dele, esse governo atrasado dele é um perigo. Porque hoje ele estava aqui em Santa Catarina ameaçando quem produz, que é o nosso agro, dizendo que o agro deveria se ajoelhar aos seus pés”, afirmou.
Ao lado de sua chapa composta por Joginho Mello (PL), que disputa a reeleição ao governo, além de Carol de Toni e Carlos Bolsonaro, candidatos ao Senado, Flávio chegou a questionar a sanidade mental do petista, afirmando que ele teria perdido “a noção”:
“É um cara que perdeu completamente a noção do que ele está falando. Não tem mais condições psiquiátricas de continuar presidindo esse Brasil”, afirmou.
Santa Catarina é hoje um dos principais redutos do bolsonarismo no país, cenário bem diferente do encontrado por Lula há pouco mais de duas décadas.
Em 2002, o petista teve no estado seu melhor desempenho entre todas as unidades da federação no 1º turno, com 56% dos votos válidos. Agora, Lula tenta recuperar espaço entre os catarinenses e reduzir a vantagem de Flávio Bolsonaro (PL). Na primeira rodada da pesquisa Quaest no estado, Flávio aparece com 45% das intenções de voto, contra 20% do presidente.
É justamente na tentativa de diminuir essa distância que Lula tem intensificado a campanha na Região Sul. Durante o ato em Florianópolis, o presidente chamou a eleição de uma “guerra”, classificou os apoiadores como seus “soldados” e deu uma missão à militância: conversar com eleitores bolsonaristas, mas sem brigar.
A orientação é pedir que eles apresentem três motivos para votar em Flávio e, na sequência, expor argumentos em favor da reeleição do petista.
Já nos atos de Flávio Bolsonaro, seus aliados repetiram pedidos para que os apoiadores convençam pessoas próximas e conhecidos a sair de casa para votar em outubro.
O entorno do senador teme que uma abstenção próxima à de 2022, quando 31 milhões de brasileiros deixaram de votar, o que representa 20% do eleitorado, possa prejudicá-lo. Em Santa Catarina, a média foi semelhante, pouco mais de 18% dos catarinenses deixaram de participar das eleições naquele ano.
Foco no eleitorado feminino
Diante de cerca de 12 mil pessoas, Lula também deu destaque à segurança pública, com foco no combate à violência contra as mulheres.
O presidente prometeu endurecer a legislação e aumentar as penas para agressores, além de defender a reeducação dos homens sobre a forma como tratam as mulheres. O tema integra a estratégia da campanha para ampliar o diálogo com o eleitorado feminino.
Flávio Bolsonaro também tratou do tema em sua passagem por Chapecó. O senador reforçou propostas, como a de endurecer a vigilância de homens que praticam violência contra mulheres.
“A gente vai ter monitoramento em tempo real para aqueles agressores, covardes, que têm medidas protetivas instauradas contra eles. Vão ser monitorados 24 horas por dia”, prometeu.
O presidenciável do PL afirmou ainda que precisa de seus candidatos ao Senado eleitos para aprovar a castração química para abusadores sexuais e a redução da maioridade penal.
Flávio chegou a comparar os dados de feminicídio em Santa Catarina com os da Bahia, estado governado pelo PT há quase 20 anos.
“Lá na Bahia, […] morrem três vezes mais mulheres assassinadas pelo simples fato de serem mulheres. Morrem três vezes mais na Bahia do que aqui em Santa Catarina”, afirmou.
Em 2025, o estado governado por Jorginho Mello registrou 52 crimes desse tipo, enquanto na Bahia os casos totalizaram 103, o que representa, na verdade, cerca do dobro de casos em números absolutos, sem levar em consideração a população de cada estado.
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Supremo em pauta
A crise que tomou conta do Supremo Tribunal Federal (STF) nas últimas semanas vem sendo um tópico constante nas falas de Flávio, que aproveitou seus discursos para vincular o problema ao governo de Lula.
“O Lula deve a eleição dele ao Alexandre de Moraes, então a obrigação do Lula agora é defender o Alexandre de Moraes”, disparou o senador em Joinville, ainda durante a manhã.
Antes de puxar um coro de “fora, Moraes”, o filho de Bolsonaro defendeu a saída do ministro e culpou os ministros indicados pelo presidente Lula pelo adiamento da análise sobre a possibilidade de abertura de investigação contra o ministro indicado por Michel Temer.
“Moraes não tem mais nenhuma condição de continuar sendo ministro na Suprema Corte deste país. Nós vamos proteger o supremo da laranja podre que é o Alexandre de Moraes […] Atrasou o início da investigação sobre ele, porque os ministros do Lula entraram no circuito”, disse.
Lula, por outro lado, falou das investigações de forma ampla e defendeu que o STF “apure, investigue todos” sobre o Banco Master.
“Deixe todo mundo nu diante da sociedade brasileira, porque nós merecemos saber da verdade. Se a gente não mexer com isso agora, a gente não conserta mais esse país”, disse Lula.
Na última terça-feira (15/9), a análise no Supremo foi adiada após o ministro Flávio Dino ter pedido vista sobre uma questão de ordem que determinaria se o caso de Moraes seria ou não analisado de forma conjunta com um pedido contra o ministro André Mendonça.
Lula aproveitou o momento e mandou um recado direto a Flávio ao dizer que o senador quer vencer a eleição para tirar seu pai, Jair Bolsonaro, da prisão.
“A ideia do outro [Flávio Bolsonaro]: ‘Eu quero ganhar as eleições para tirar meu pai da cadeia’. E eu quero ganhar para manter ele na cadeia”, afirmou.
Reajuste no Bolsa Família
Um ponto que ocupou grande parte dos discursos de Flávio foi o reajuste de 15% no valor do Bolsa Família. O senador questionou a falta de reajuste em anos anteriores e classificou a medida como eleitoreira e uma tentativa de o presidente Lula comprar o eleitor.
Na quinta-feira (17/9), o governo Lula anunciou o reajuste com base na inflação acumulada entre 2023 e 2026. Segundo o ministro de Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, o objetivo do governo nos anos iniciais foi a identificação de fraudes e o combate a elas.

