Única animação na mostra competitiva do 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (FBCB), Ana, en Passant marca a estreia de Fernanda Salgado na direção de um longa-metragem. O filme, uma produção de Minas Gerais em coprodução com Portugal e França, combina diferentes técnicas de animação para contar uma história sobre memória, família e ancestralidade entre gerações de mulheres negras.
Na trama, Ana, vivida pela voz de Jéssica Pierina, deixa Paris e viaja para Belo Horizonte após a morte da avó brasileira. Antes de morrer, a mulher deixa para a neta uma caixa com uma carta, objetos, duas chaves e um endereço na capital mineira. Intrigada por descobrir uma parte da história da família que desconhece, a jovem parte em busca desse passado.






Ana, en passant é única animação na competição do Festival de Brasília
DivulgaçãoCena do filme Ana, en passant, de Fernanda Salgado
DivulgaçãoCena do filme Ana, en passant, de Fernanda Salgado
DivulgaçãoCena do filme Ana, en passant, de Fernanda Salgado
DivulgaçãoCena do filme Ana, en passant, de Fernanda Salgado
DivulgaçãoA narrativa é construída a partir de animação 2D, rotoscopia, colagem e stop-motion. As diferentes técnicas também ajudam a traduzir as camadas de memória exploradas pelo longa, que conta ainda com as vozes de Zezé Motta e Carlos Francisco.
Para Fernanda Salgado, estar na competição oficial do Festival de Brasília representa um reconhecimento da trajetória do filme e do trabalho realizado pela equipe. Em entrevista ao Metrópoles, a diretora também destacou a importância da presença de um longa de animação dirigido por uma mulher negra e com uma narrativa profundamente negra em um dos principais festivais de cinema do país.
“Ter Ana, en Passant na competição nacional do Festival de Cinema de Brasília é, em primeira instância, extremamente importante pela relevância histórica, política e crítica que o festival possui. Representa, por si só, um reconhecimento da potência do filme, do trabalho realizado por toda a equipe e elenco, e da sua caminhada, tanto que nos trouxe até aqui, e que nos levará adiante”, afirmou.
Segundo a cineasta, a seleção também evidencia o crescimento da produção de animação no Brasil, tanto em quantidade quanto em qualidade. Ela relaciona esse movimento ao trabalho dos profissionais do setor, às políticas públicas de incentivo e à ampliação dos espaços de formação, produção e distribuição.
Ao mesmo tempo, Fernanda aponta desafios para o segmento, especialmente quando se trata do acesso de mulheres e, em particular, mulheres negras aos recursos necessários para produzir longas-metragens de animação.
“A questão não é que não há mulheres animadoras no Brasil; muito pelo contrário. Temos animadoras incríveis, tanto historicamente quanto contemporaneamente, com produções belíssimas e potentes. Mas, para que haja, de fato, uma diversidade narrativa, temática, criativa e estética nos filmes que são produzidos e lançados, e que assim, mais histórias como Ana, en passant cheguem ao público, é necessário que o acesso aos recursos de produção seja também ampliado”, disse.
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Fernanda está à frente do projeto há mais de uma década. Em 2012, o roteiro de Ana, en passant foi selecionado para o Script Station, programa de desenvolvimento do Berlinale Talent Campus. No último dia 12, a animação também chegou às telas dentro da competição do Festival de Brasília.

