A quarta noite do Metrópoles Catwalk mostrou, mais uma vez, como diferentes linguagens podem dividir a mesma passarela. Nesta quinta-feira (17/9), a Arena Mané Garrincha recebeu seis marcas em propostas que transitaram entre o minimalismo arquitetônico, referências brasileiras, a sensualidade do boudoir, o romantismo vintage, a experimentação na moda praia e o glamour do cinema italiano.
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Silhuetas escultóricas
Mais do que uma sequência de estilos distintos, os desfiles de Reptilia, George Azevedo, Rostand, Lucila, Sau Swim e Geraldo Couto revelaram diferentes maneiras de trabalhar o corpo, a textura e a construção da roupa. Em alguns momentos, a silhueta apareceu ampliada e quase escultórica; em outros, foi marcada por corsets, recortes, transparências e modelagens ajustadas.
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A noite também evidenciou a capacidade do evento de colocar em diálogo etiquetas de diferentes regiões do país. Ao lado da produção autoral brasiliense, marcas de Curitiba, Fortaleza e São Paulo levaram à Arena Mané Garrincha repertórios construídos a partir de referências e contextos bastante particulares.


Reptilia aposta em arquitetura e memória da própria marca
A Reptilia, comandada por Heloisa Strobel, abriu a noite com uma seleção de peças icônicas da etiqueta curitibana. Modelagens amplas e formatos arquitetônicos apareceram em uma cartela predominantemente neutra, criando uma apresentação de estética precisa e contemporânea.

O modernismo surgiu tanto nas silhuetas quanto na construção das peças. Em alguns momentos, estampas difusas quebraram a sobriedade da coleção, enquanto tons cítricos apareceram em contraste com cores como o marrom-caramelo.

As texturas também tiveram papel importante. Tecidos com diferentes superfícies acrescentaram informação às modelagens mais descomplicadas, mostrando como a marca constrói sua identidade a partir da relação entre matéria, volume e forma.

George Azevedo leva referências do litoral para a cidade
Na sequência, George Azevedo mudou completamente a atmosfera da passarela com Vento Forte. Inspirações náuticas e praianas deram o tom da apresentação, que começou com a entrada de Gianne Albertoni e rapidamente ganhou cores e movimento.

Listras em vermelho e azul apareceram em diferentes materiais, chegando até aos paetês, enquanto estampas de cores saturadas pareciam ter sido pintadas à mão. O repertório remetia ao litoral, mas as peças não ficaram restritas ao universo da praia.

Referências ao surfe e à estética dos anos 1980 acrescentaram uma atmosfera jovial à coleção. A proposta reforçou, ainda, uma característica recorrente na moda brasileira: a possibilidade de transformar elementos associados ao verão e à paisagem litorânea em roupas que também encontram espaço no cotidiano urbano.





Estampas com grafismos
Eduardo Iff/Especial para o MetrópolesPaetês listrados
Eduardo Iff/Especial para o MetrópolesGeorge Azevedo
Eduardo Iff/Especial para o MetrópolesGrafismos divertidos marcaram
Eduardo Iff/Especial para o MetrópolesRostand transforma referências antigas em joias têxteis
Fechando o primeiro bloco, Rostand apresentou Crisantemi, coleção construída a partir de referências às vedetes e melindrosas e de peças e tecidos garimpados ao longo de cinco anos.

O cuidado com os materiais foi um dos pontos centrais da apresentação. Vestidos cortados no viés, tecidos leves e antigos, franjas, veludos, vidrilhos, pelugens, acetinados e rendas foram combinados em criações de forte caráter artesanal.

A sensualidade apareceu especialmente nos vestidos, mas encontrou equilíbrio na delicadeza dos materiais. O resultado foi uma coleção em que memória e contemporaneidade se encontram sem que a referência histórica seja reproduzida de maneira literal.







Vestido acetinado no viés
Eduardo Iff/Especial para o MetrópolesCasacos largos contrastam com vestidos delicados
Eduardo Iff/Especial para o MetrópolesVestidos curtos que fogem do básico
Eduardo Iff/Especial para o MetrópolesSensualidade e delicadeza transitam entre as peças
Eduardo Iff/Especial para o MetrópolesBrilhos são destaque em algumas peças
Eduardo Iff/Especial para o MetrópolesDesfile Bernardo Rostand
Eduardo Iff/Especial para o MetrópolesLucila revisita o romantismo com excesso de volumes
Depois de três propostas bastante diferentes entre si, o segundo bloco começou com a Lucila, etiqueta brasiliense comandada por Lucila Pena. Conhecida pela combinação de referências vitorianas, contraculturais e dos anos 1980, a marca levou à passarela uma interpretação maximalista do romantismo.

Laços, drapeados, lastex, babados, mangas volumosas e corsets apareceram em diferentes construções. Os tecidos fluidos criaram movimento, enquanto estruturas mais rígidas desenharam a cintura e reforçaram a feminilidade das produções.

A atmosfera vintage esteve presente, mas sem transformar os looks em reproduções de outras épocas. As referências foram reorganizadas por meio de proporções e materiais contemporâneos. Renata Kuerten foi um dos destaques da apresentação. A modelo havia aberto a noite pela Reptilia, em uma estética minimalista e arquitetônica, e retornou à passarela em uma proposta praticamente oposta, marcada pelo volume e pela ornamentação.







Modelagens drapeadas
Eduardo Iff/Especial para o MetrópolesDesfile Lucila
Eduardo Iff/Especial para o MetrópolesLaços e mangas bufantes já constituem identidade da etiqueta
Eduardo Iff/Especial para o MetrópolesDesfile Lucila
Eduardo Iff/Especial para o MetrópolesMangas e saias bufantes
Eduardo Iff/Metrópoles CatwalkRomantismo moderno
Eduardo Iff/Especial para o MetrópolesSau Swim experimenta novas possibilidades para o beachwear
A Sau Swim levou de Fortaleza para o Metrópoles Catwalk uma leitura menos convencional da moda praia. A etiqueta trabalha com sensualidade, acabamentos artesanais, aplicações, brilhos e diferentes texturas, elementos que ganharam destaque na apresentação.

Recortes, franjas e aplicações modificaram a relação entre corpo e roupa. As estampas e superfícies também ajudaram a afastar as peças da imagem tradicional do beachwear, aproximando algumas produções de roupas que poderiam circular para além da praia ou da piscina.

Ellen Milgrau conduziu o desfile depois de participar da apresentação de Rostand no primeiro bloco. A mudança de estética entre as duas marcas evidenciou novamente a variedade de linguagens reunidas na noite.

Geraldo Couto encerra a noite com inspiração em La Dolce Vita
O último desfile da noite ficou por conta de Geraldo Couto, que estreou no Metrópoles Catwalk com uma coleção inspirada em La Dolce Vita, clássico de Federico Fellini lançado em 1960.

Especializada em moda festa e alto luxo, a marca paulista traduziu o imaginário do cinema italiano por meio de uma coleção exuberante. Paetês, rendas, pedrarias, aplicações e plumas construíram superfícies carregadas de informação, enquanto mangas bufantes acrescentaram volume às produções.

Ao mesmo tempo, recortes e transparências trabalharam a definição da silhueta. O contraste entre roupas volumosas e estruturas mais ajustadas percorreu a apresentação, criando diferentes interpretações para a feminilidade.

Gianne Albertoni encerrou o desfile e a quarta noite do evento. Horas antes, a modelo havia aberto a apresentação de George Azevedo, em uma coleção inspirada pelo litoral e pelos ventos do Rio Grande do Norte. No encerramento, surgiu em uma atmosfera completamente diferente, cercada pelo glamour do cinema italiano.


