A crise que abala o STF (Supremo Tribunal Federal) não é um fenômeno isolado, mas o reflexo de uma degradação institucional que se acumula há anos. Essa é a avaliação de Christopher Garman, diretor-executivo do Eurasia Group, ao WW.
Garman, que recentemente elaborou um texto manifestando preocupação com a situação institucional brasileira, foi questionado sobre se o cenário havia melhorado desde então. A resposta foi direta: “Certamente o que nós estamos vendo essa semana é desastroso em termos da credibilidade do Supremo Tribunal Federal”.
Degradação que se acumula há anos
Segundo Garman, o que a crise atual está revelando vai além das disputas públicas entre ministros. “No fundo, o que essa crise também está revelando é que nós estamos vendo uma degradação institucional que vem se avolumando há anos”, afirmou.
Para ele, a briga aberta entre os ministros choca a sociedade e o setor privado, mas expõe um problema estrutural mais profundo.
Advocacias de familiares e ambiente de negócios
Um dos pontos centrais destacados por Garman diz respeito à crescente prática de familiares de ministros do STF e de outros tribunais superiores que atuam como advogados em causas apresentadas nessas mesmas cortes.
“Eu escuto cada vez mais relatos dos nossos clientes de que cresce a percepção de que, para ter acesso aos tribunais, é necessário contratar um escritório de advocacia de algum familiar de um ministro do Tribunal Superior”, relatou. Para ele, essa dinâmica é prejudicial ao ambiente de negócios do país.
Garman classificou o cenário como um “ambiente permissivo para trocas e relações não republicanas”. No entanto, o especialista identificou um aspecto potencialmente positivo na crise: à medida que os ministros tentam minar a credibilidade uns dos outros, práticas que precisam ser corrigidas acabam sendo expostas.
“Você acaba expondo práticas que precisam ser corrigidas”, concluiu.

