O candidato Vaguinho Neguinho, do PRD do Rio de Janeiro, mantém, segundo uma investigação da Polícia Federal, relação com o Comando Vermelho, Terceiro Comando Puro e milícias — todos os grupos são rivais entre si. Vaguinho Neguinho teve sua candidatura indeferida pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) na segunda-feira (15/9).
No pedido de impugnação da candidatura, o Ministério Público Eleitoral cita uma “vasta capilaridade política” do candidato entre grupos criminosos. O documento afirma que “há farto material probatório” sobre o relacionamento de Vaguinho Neguinho com o CV, TCP e milícias. O candidato do PRD é vereador em Nova Iguaçu (RJ) por cinco mandatos e, agora, tenta ser eleito para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).



Vaguinho Neguinho é vereador na Câmara dos Vereadores de Nova Iguaçu por cinco mandatos
Reprodução“Fortes indícios de sua participação em organização criminosa e de assessoramento ao Comando Vermelho, ao Terceiro Comando Puro e a milícias da Baixada Fluminense”, disse um trecho do inquérito da PF citado pelo MP Eleitoral.
Dono de uma empresa de telecomunicações, Vaguinho Neguinho foi contatado diretamente por um traficante do Comando Vermelho para instalar um ponto de internet em uma “boca de fumo do Paraíso”, local apontado como controlado pelo Comando Vermelho. O indivíduo se apresentava como ‘responsável da boca’ e dirigia-se diretamente ao candidato, segundo mensagens interceptadas pela Polícia Federal.
Já com a milícia, a Polícia Federal apontou que conversas faziam referências ao envolvimento do Vaguinho Neguinho por fotografias do candidato junto milicianos conhecidos como “Cientista” e “Tubarão”, lideranças da milícia em Seropédica e na Baixada Fluminense.
“Outro episódio envolve Claudia Mara Azevedo dos Santos, que procurou Vagner para pedir auxílio após ter sido furtada por integrantes da milícia. Segundo o relatório, o candidato teria indicado que alguém entraria em contato com ela e, posteriormente, os objetos foram devolvidos”, diz o pedido de impugnação do MP Eleitoral.
O relatório da PF aponta ainda que Dinei, um traficante do TCP, atuava como “intermediário” para organizar encontros entre Vaguinho Neguinho e Wallace de Brito Trindade, conhecido como “Lacoste”, apontado como liderança do TCP na Comunidade da Serrinha.
As investigações mostraram, baseados em relatórios do Coaf, que Vaguinho emprestou R$ 40 mil ao traficante Lacoste.
“Em relação especificamente a Vagner Mateus dos Santos, a análise dos RIFs revelou movimentação financeira de R$ 14.216.470,08, no período de 6/3/2020 a 22/2/2024. O montante contrasta significativamente com os bens declarados à Justiça Eleitoral em 2022, no valor de R$ 1.977.298,70”, diz o relatório da PF enviado ao MP Eleitoral. Neste ano, Vaguinho Neguinho declarou R$ 3,1 milhão em bens.


