O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), comparou a investigação sobre o uso de emendas parlamentares por entidades ligadas à produção do filme Dark Horse ao Inquérito das Fake News, aberto no Supremo Tribunal Federal (STF) em 2019. Para o senador, a apuração relatada pelo ministro Flávio Dino corre o risco de se transformar em um “novo monstro”.
“Nós estamos vendo agora a criação de um novo monstro, que é o inquérito que está sendo conduzido pelo senhor Flávio Dino”, afirmou Marinho a jornalistas no Senado.
O parlamentar também criticou o alcance dado à investigação sobre emendas e disse que o procedimento não pode funcionar “como se fosse uma espada na cabeça do Parlamento brasileiro”.
Na mesma declaração, Marinho classificou o inquérito 4.781 como um “espada na cabeça da sociedade brasileira”.
O inquérito foi aberto em março de 2019 pelo então presidente do STF, Dias Toffoli, para investigar notícias falsas, ameaças e ataques contra integrantes da Corte.
Alexandre de Moraes foi escolhido relator e permaneceu à frente do procedimento por mais de sete anos.
Em 9 de setembro, o presidente do STF, Edson Fachin, retirou Moraes da relatoria e determinou que procedimentos preliminares ligados ao inquérito retornassem à presidência da Corte para análise e posterior envio à Polícia Federal e à PGR.
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Emendas e Dark Horse
A investigação criticada por Marinho foi aberta pela Polícia Federal (PF) em julho, a partir de decisão de Dino, para apurar o uso de recursos de emendas parlamentares destinados a entidades ligadas à produção de Dark Horse, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Entre os parlamentares citados inicialmente estava o deputado federal Mario Frias (PL-SP), produtor-executivo e roteirista do longa.
Na última quinta-feira (10/9), Dino autorizou a Operação Make Up, na qual a PF cumpriu 49 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em três estados.
Entre os alvos estavam Frias e Karina Ferreira da Gama, dona da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme.
A PF apura, entre outros pontos, R$ 2 milhões em emendas indicadas por Frias ao Instituto Conhecer Brasil, entidade presidida por Karina.
Segundo documentos da investigação divulgados pelo Metrópoles, os policiais rastreiam repasses posteriores entre empresas e a Go Up e apontaram coincidência temporal entre movimentações financeiras e o período de gravações do longa.
Frias nega que suas emendas tenham financiado o filme.
O caso das emendas corre em paralelo a outra investigação sobre o financiamento de Dark Horse.
Nesse segundo inquérito, que teve como relator original o ministro André Mendonça, a PF apura os R$ 61 milhões repassados por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para o projeto e o destino dos valores.
O senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi incluído como investigado nesse procedimento em julho.

