A Polícia Militar puniu o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, réu pelo feminicídio da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, após concluir que ele “faltou com a verdade” durante uma sindicância interna em 2024.
A informação consta no Registro de Informações de Punições de Oficiais, anexado ao processo criminal nesta segunda-feira (14/9). A ficha, obtida pela coluna, reúne nove transgressões disciplinares atribuídas ao oficial entre 2000 e 2024, das quais duas graves e sete médias.







Oficial foi acompanhado por amigo desembargador
Reprodução/Polícia CivilDentro do apartamento, agentes evitam contato com o sangue da vítima no chão
Reprodução/Polícia CivilCoronel circula pelo imóvel e questiona posição de objetos no quarto
Reprodução/Polícia CivilCoronel chega ao local e tenta entrar no apartamento onde a esposa foi encontrada baleada
Reprodução/Polícia CivilInicialmente, o caso foi registrado como suicídio, mas depois o coronel foi preso e é investigado por feminicídio
Arquivo pessoalTenente-coronel Geraldo Neto (esq) e desembargador em evento
Reprodução/InstagramTenente-coronel Geraldo Neto (esq) e desembargador em evento
Reprodução/InstagramMagistrado costuma transitar em ambientes militares
Reprodução/InstagramVersão contestada
Segundo o registro, Geraldo, então major do 48º Batalhão da Polícia Militar Metropolitano (48ºBPM/M), estava escalado temporariamente como coordenador operacional e deveria permanecer em determinada área durante o serviço.
A apuração apontou, porém, que ele se afastou do local e, posteriormente, “faltou com a verdade” ao afirmar em termo de declarações que tinha autorização para se deslocar até a área do 39º BPM/M.
As condutas foram classificadas como transgressões grave e média, respectivamente. Como punição, Geraldo recebeu um dia de permanência disciplinar, ou seja, sanção que obriga o militar a permanecer na unidade da PM, sem afastá-lo das atividades de serviço.
A anotação de 2024 é a mais recente da ficha. O histórico inclui ainda punições aplicadas em 2000, 2005, 2009, 2013 e 2014.
Leia também
Preso e réu por feminicídio
Geraldo está preso desde 18 de março no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte da capital paulista. Ele responde na Justiça comum pelo feminicídio de Gisele, morta com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro, no apartamento onde o casal morava, no centro paulistano.
O tenente-coronel sustenta que a esposa se matou após uma discussão do casal, após ele supostamente terminar o relacionamento com ela. A Polícia Militar, porém, afirmou, em representação encaminhada à Secretaria da Segurança Pública, haver “fortes indícios” de que Geraldo teria sido o responsável pelo disparo.
Possível demissão e perda de patente
Além da ação criminal, incluindo fraude processual, o oficial responde a um Conselho de Justificação, instaurado em 31 de março pelo secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves. O procedimento avalia se Geraldo reúne condições para permanecer como oficial da PM e pode, em etapas posteriores, levar à perda do posto e da patente.
O julgamento da situação administrativa do oficial ocorreria nesta segunda-feira (14/9), mas foi adiado por motivos não especificados até a publicação desta reportagem.
Em depoimento à Corregedoria, Geraldo também negou acusações referentes ao relacionamento com Gisele. Disse que um vídeo no qual aparece apontando uma arma para a própria cabeça poderia ter sido produzido por inteligência artificial e chegou a sugerir que marcas encontradas no pescoço da esposa teriam sido produzidas no necrotério para incriminá-lo.

