Mario Covas Neto, filho do ex-governador de São Paulo Mario Covas, pediu a expulsão do presidente estadual do PSDB, Paulo Serra, e uma intervenção da direção nacional da legenda no diretório paulista. A representação acusa o dirigente tucano de infidelidade e de descumprir decisões partidárias durante a campanha eleitoral.
Diretor nacional do Instituto Teotônio Vilela e filiado ao PSDB na capital paulista, Covas Neto protocolou a representação junto à Executiva Nacional da sigla. Além da expulsão, ele pede o afastamento imediato de Serra da presidência estadual e a nomeação de um interventor para comandar o diretório.
Um dos principais motivos apresentados é o apoio de Paulo Serra aos candidatos ao Senado André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), apesar de Soninha Francine, do Cidadania, que faz parte da mesma federação partidária que o PSDB, integrar a disputa.
Segundo a representação, Serra teria reafirmado publicamente que Prado e Derrite são seus candidatos ao Senado. Covas Neto sustenta que a posição contraria decisões da Federação PSDB-Cidadania e configura uma “afronta à disciplina partidária”.
O documento cita dispositivos do estatuto do PSDB que preveem punição ao filiado que apoiar direta ou indiretamente candidatos de outros partidos em eleições nas quais a própria legenda participe. Entre as medidas disciplinares previstas está a expulsão.
Covas Neto também questionou um evento organizado por Paulo Serra e sua mulher, Ana Carolina Serra, com a participação de Prado e Derrite. Para ele, a iniciativa foi organizada “à margem das deliberações” da federação e provocou “constrangimento institucional” e “desagregação interna”.
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Outro argumento usado no pedido envolve a propaganda eleitoral de Paulo Serra e Ana Carolina Serra em Santo André, no ABC Paulista.
A representação menciona uma decisão para retirada de peças de propaganda que, segundo o documento, não apresentavam a identificação partidária. Covas Neto argumenta que o episódio também configuraria violação do estatuto tucano, que prevê punições para filiados que deixem de mencionar a sigla e o nome do partido em propaganda eleitoral.
Com base nesses episódios, o filho de Mario Covas pede que a Executiva Nacional instaure um processo disciplinar com objetivo de expulsar Serra, intervenha no diretório paulista e nomeie um interventor.
Ele argumenta que a permanência de Serra no comando estadual colocaria em risco a unidade da federação, a campanha dos candidatos oficiais e a imagem pública do PSDB.
Ao divulgar a representação, Covas Neto afirmou que decidiu recorrer à direção nacional porque as normas internas da legenda devem ser respeitadas também pelos dirigentes.
“Protocolei uma representação à Executiva Nacional do PSDB porque acredito que as regras do partido precisam valer para todos, principalmente para quem ocupa posições de liderança”, escreveu.
Ele negou que a iniciativa tenha motivação pessoal e afirmou que o pedido envolve “coerência, responsabilidade, fidelidade às decisões partidárias e respeito à história” do PSDB.
A representação ainda será analisada pelas instâncias internas do partido. O pedido de expulsão, portanto, não significa que Paulo Serra tenha sido afastado ou expulso da legenda.
Procurado pelo Metrópoles, Paulo Serra não havia se manifestado até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto.
O PSDB Nacional, por sua vez, afirmou que não vai comentar o caso.

