O influenciador Rico Melquiades mostrou que a suspeita de coação eleitoral contra as funcionárias dele gerou reação do público que o segue nas redes sociais, e expôs ameaças e o medo sentido com a repercussão do caso nesta segunda-feira (14).
Um vídeo publicado pelo campeão de "A Fazenda 13" virou alvo do Ministério Público Eleitoral (MPE) em Alagoas, que solicitou à Polícia Federal (PF) uma investigação contra Rico, após ele ameaçar uma funcionária de demissão após associá-la ao Partido dos Trabalhadores (PT).
Rico afirmou que, apesar de já ter lidado com ameaças em outros momentos, se surpreendeu com o nível das mensagens desta vez. “Eu só saio de casa com segurança agora, eu nunca fui tão ameaçado como estou sendo. Estou amedrontado de sair na rua”, declarou no Instagram.
Na sequência, ele afirmou que iria tomar um banho de piscina dentro da própria casa, enfatizando que não poderia mais sair de casa diante do nível de ameaças sofridas.
Entenda o caso
No material que motivou a atuação do órgão, o influenciador surge ao lado de funcionárias e indaga quem é o responsável pelo pagamento dos salários delas. Diante da resposta de que ele próprio paga, o influenciador afirma que não deseja apoiadores do PT trabalhando no local.
Em seguida, o criador de conteúdo passa a interrogar as trabalhadoras sobre suas posições políticas. Uma delas relata ter apoiado o partido no passado, mas que mudou de ideia. Ao interpelar outra colaboradora, o influenciador a vincula à legenda e decreta o desligamento.
"Não quero petista aqui dentro [de casa] também. Você vai ser PT, Manuela? [...] Tá demitida. Tá demitida. [...] Traga sua carteira, já demitida. [...] E quem paga ele não é o PT. Vai para o PT. Vai para a rua", disse o influenciador no vídeo.
Manuela responde aos questionamentos apenas com um “aham”. Outra funcionária, que não teve a identidade divulgada na gravação, relatou que já foi petista, mas que acabou desistindo de apoiar candidatos da legenda devido ao trabalho.
Investigação por coação eleitoral
Segundo informações do g1, o episódio é avaliado pelo MPE com amparo no artigo 301 do Código Eleitoral, que tipifica como crime o uso de violência ou grave ameaça para forçar alguém a votar, ou deixar de votar, em determinado candidato ou partido, independentemente de a pressão surtir o efeito desejado. A pena estipulada é de até quatro anos de reclusão, somada ao pagamento de multa.
O procurador regional eleitoral em Alagoas, Marcial Duarte Coêlho, pontuou que o cenário demanda apuração devido à possibilidade de emprego da relação de trabalho como instrumento de interferência na escolha política das funcionárias. Para o órgão, a condição de empregador e o poder econômico não devem servir como mecanismos de coação sobre o eleitorado.
O MPE frisou também que uma eventual justificativa de que a gravação tratava-se de uma brincadeira não descarta a necessidade de investigação, visto que a ameaça de desemprego por motivação política pode configurar constrangimento à liberdade de voto.
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