As investigações envolvendo o deputado federal Mario Frias (PL) apontam que ele teria destinado R$ 2 milhões em emendas parlamentares a entidades ligadas a Karina Gama, proprietária da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse.
Os dois foram alvos da Polícia Federal, nesta quinta-feira (10/9), na Operação Make Up, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino e que apura suspeitas de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares a instituições ligadas à produtora de Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Os repasses do deputado, investigados pela PF, Controladoria-Geral da União (CGU) e STF, dividem-se em dois projetos principais:
- R$ 1 milhão para o Instituto Conhecer Brasil (ICB) voltado a um programa de empreendedorismo e inclusão digital.
- R$ 1 milhão para o projeto “Lutando pela Vida”, destinado a aulas de jiu-jitsu no interior de São Paulo.
Além desses R$ 2 milhões em emendas diretas a ONGs do grupo, são investigados repasses de R$ 269 mil do parlamentar a empresas terceirizadas ligadas à mesma produtora.
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As investigações foram abertas a partir de denúncias feitas pelos deputados federais Tabata Amaral (PSB-SP) e pastor Henrique Vieira (PSol-RJ). Em março, o ministro Flávio Dino determinou que o deputado Mario Frias apresentasse informações sobre a destinação dos recursos.
À época, Frias negou ao STF que tivesse destinado os valores das emendas para a produção do filme. A defesa do deputado pediu o arquivamento da apuração e afirmou que a informação sobre o uso dos recursos na produção é “absolutamente falsa”.
Segundo os advogados, as emendas foram destinadas a projetos de utilidade pública devidamente aprovados, sem qualquer vínculo financeiro com a produção do longa-metragem.






Jim Caviezel no 1º trailer de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro
Reproduçãocena de filme de Bolsonaro é alvo de investigação da PF
ReproduçãoCena do 1º trailer de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro
ReproduçãoDark Horse
ReproduçãoO filme Dark Horse retrata a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018
Reprodução/InstagramEm 15 de abril, Dino abriu uma apuração preliminar para investigar, também, a destinação de emendas por deputados do PL.
Operação
Batizada de Operação Make Up, a ação desta quinta foi realizada em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU). Foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo, em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.
A investigação apura suspeitas de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares repassadas a uma organização da sociedade civil por meio de termo de fomento.
Segundo a PF, os investigadores identificaram indícios de uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados que teria direcionado parte dos recursos recebidos para empresas subcontratadas irregularmente, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços.
Levantamentos financeiros identificaram ainda movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas relacionadas ao esquema investigado.
Conforme a corporação, tentativas de dissimular os supostos desvios teriam continuado até julho deste ano. A PF apura ainda os repasses realizados pelo empresário Daniel Vorcaro para financiar o filme.

