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De Brasília a Tóquio: brasiliense se torna campeã mundial de jiu-jitsu

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
De Brasília a Tóquio: brasiliense se torna campeã mundial de jiu-jitsu

Em extensão territorial, o Distrito Federal é quase 65 vezes menor que o Japão, mas no Campeonato Mundial de Jiu-Jitsu da SJJIF 2026, a capital federal se mostrou gigante com a conquista da atleta Maria Clara Barreto de 25 anos. Entre os dias 3 e 6 de setembro, a mais de 17 mil quilômetros de casa, Maria Clara foi campeã mundial em Tóquio e assumiu o primeiro lugar no ranking da Sport Jiu-Jitsu International Federation (SJJIF).

A lutadora, que nasceu no Paranoá e hoje mora em Águas Claras, conquistou o ouro nas duas categorias em que disputou: Feminino Adulto Preta 18 Médio-Pesado e Feminino Adulto Preta 18 Absoluto. Com o resultado, a atleta traz para o DF o cinturão do campeonato, duas medalhas douradas e bagagem para os próximos desafios.

A conquista no Japão também marcou a estreia de Maria Clara na faixa-preta. Graduada em julho, a lutadora subiu ao topo do pódio em seu primeiro campeonato na nova categoria menos de dois meses após receber o grau. Para ela, a viagem teve um significado ainda maior por unir duas paixões: o jiu-jitsu e o desejo de conhecer novas culturas.

Maria Clara contou que foi convidada a representar o Instituto Esporte com Propósito, de Goiânia, e teve passagem, hospedagem, alimentação e inscrições custeadas pela organização, com apoio de empresas parceiras. “Poder ver o jiu-jitsu sendo valorizado e visto por outras pessoas e, principalmente, conhecer um país que eu sempre admirei e que é o berço do esporte foi uma sensação indescritível”, afirmou.

Preparação para o desafio

A adaptação ao país exigiu planejamento. Maria Clara chegou ao Japão cinco dias antes da competição para se acostumar ao fuso horário e às condições climáticas. O contraste com Brasília foi um dos principais desafios: enquanto o Distrito Federal enfrenta o pico da seca, Tóquio registra temperaturas elevadas, chuva e alta umidade. A atleta também precisou ajustar a rotina de sono para chegar descansada às disputas.

Segundo ela, a adaptação ocorreu de forma rápida, permitindo noites de sono adequadas dois dias após a chegada. Para avaliar o rendimento físico antes da estreia, a lutadora também realizou um treino em uma academia local.

“Para o atleta, o sono faz parte da competição, também é parte do nosso treino. Eu consegui me adaptar bem rápido. Ao clima eu também consegui me adequar, justamente porque fiz um treino lá para entender como era”, explicou.

Além do clima, Maria Clara se surpreendeu com a estrutura oferecida aos competidores durante o Mundial. Segundo a lutadora, as disputas ocorreram com pontualidade e com áreas específicas reservadas para aquecimento e preparação.

A cerimônia das finais também ficou marcada na memória da brasiliense. A entrada dos competidores contou com luzes apagadas, telão e apresentação individual dos atletas. O título no Absoluto rendeu um cinturão, um anel de ouro, flores e a vaga para uma competição nas Ilhas Marianas, com premiação de US$ 10 mil.

“Ver que eu estava ali do outro lado do mundo sendo prestigiada foi muito emocionante. Eu arrepiei toda ao lembrar da Maria Clara quando começou e de ver que eu estava ali sendo prestigiada”, contou.

Ao todo, oito pessoas integraram a delegação com atletas de Brasília e de Goiás. Entre eles estava o brasiliense Diogo Ascioli, que também conquistou o título mundial, e o professor Toshio, de Goiânia, que atuou no corner de Maria Clara durante as lutas, fornecendo orientações decisivas na final do Absoluto.

“Se eu não tivesse a orientação do professor Toshio naquele momento, talvez minha adversária pudesse ter virado o jogo. A experiência dele foi primordial para que me orientasse da maneira correta e fizesse eu ganhar o campeonato”, disse.

Para Maria Clara, o resultado reflete o esforço coletivo: “A gente constrói essa vitória com a ajuda de todas essas pessoas. Sem elas, eu talvez não estaria onde cheguei”, afirmou.

Cultura do jiu-jitsu no DF

A campeã mundial atribui parte do seu desempenho à tradição do jiu-jitsu no Distrito Federal. Na avaliação da atleta, a capital conta com uma base consolidada há décadas, com academias estruturadas e uma cultura de treino forte entre praticantes amadores e profissionais.

“Brasília tem muita academia de jiu-jitsu. As pessoas treinam como se fossem atletas profissionais e nem são. Todo mundo gosta muito”, afirmou.

A lutadora relembra nomes marcantes para a modalidade na capital, como o professor Jucão, além de atletas com projeção nacional e internacional, ressaltando que a geração atual colhe os frutos de uma estrutura iniciada há cerca de 30 anos.

Outro ponto destacado é o apoio governamental por meio do programa Compete Brasília, iniciativa do Governo do Distrito Federal que auxilia atletas no custeio de viagens oficiais. O benefício já havia sido utilizado por Maria Clara em outras etapas internacionais ao longo do ano.

“Esse projeto também ajuda muito. Conheço muitos atletas em Brasília que usam o recurso do Compete Brasília. É uma grande forma de incentivo”, afirmou.

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Maria Clara iniciou a jornada nos tatames aos 16 anos e, desde então, acumula conquistas expressivas na modalidade
Aos 25 anos, a atleta já ostenta os títulos de campeã brasileira e tricampeã sul-americana, e soma agora o título de campeã mundial ao currículo
"Poder ver o jiu-jitsu sendo valorizado e visto por outras pessoas e, principalmente, conhecer um país que eu sempre admirei e que é o berço do esporte foi uma sensação indescritível", afirmou.
O título no Absoluto rendeu um cinturão, um anel de ouro, flores e a vaga para uma competição nas Ilhas Marianas
"No fim, a faixa virou consequência de momentos inesquecíveis com pessoas incríveis", escreveu.
Metrópoles
Entre os dias 3 e 6 de setembro, a mais de 17 mil quilômetros de casa, Maria Clara foi campeã mundial em Tóquio e assumiu o primeiro lugar no ranking da Sport Jiu-Jitsu International Federation (SJJIF)
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Entre os dias 3 e 6 de setembro, a mais de 17 mil quilômetros de casa, Maria Clara foi campeã mundial em Tóquio e assumiu o primeiro lugar no ranking da Sport Jiu-Jitsu International Federation (SJJIF)

Imagens cedidas/João Gabriel Barreto
Maria Clara iniciou a jornada nos tatames aos 16 anos e, desde então, acumula conquistas expressivas na modalidade
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Maria Clara iniciou a jornada nos tatames aos 16 anos e, desde então, acumula conquistas expressivas na modalidade

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Aos 25 anos, a atleta já ostenta os títulos de campeã brasileira e tricampeã sul-americana, e soma agora o título de campeã mundial ao currículo
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Aos 25 anos, a atleta já ostenta os títulos de campeã brasileira e tricampeã sul-americana, e soma agora o título de campeã mundial ao currículo

Imagens cedidas/João Gabriel Barreto
"Poder ver o jiu-jitsu sendo valorizado e visto por outras pessoas e, principalmente, conhecer um país que eu sempre admirei e que é o berço do esporte foi uma sensação indescritível", afirmou.
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"Poder ver o jiu-jitsu sendo valorizado e visto por outras pessoas e, principalmente, conhecer um país que eu sempre admirei e que é o berço do esporte foi uma sensação indescritível", afirmou.

Imagens cedidas/João Gabriel Barreto
O título no Absoluto rendeu um cinturão, um anel de ouro, flores e a vaga para uma competição nas Ilhas Marianas
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O título no Absoluto rendeu um cinturão, um anel de ouro, flores e a vaga para uma competição nas Ilhas Marianas

Imagem cedida ao Metrópoles/Carol Viera
"No fim, a faixa virou consequência de momentos inesquecíveis com pessoas incríveis", escreveu.
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"No fim, a faixa virou consequência de momentos inesquecíveis com pessoas incríveis", escreveu.

Reprodução/Redes sociais

O Mundial em Tóquio consolida uma decisão tomada pela atleta no ano passado, quando deixou o emprego formal para se dedicar integralmente ao esporte. Com mais de 90 mil seguidores no Instagram e um canal no YouTube, Maria Clara compartilha a rotina de treinos, viagens e bastidores.

A presença digital foi decisiva para abrir portas: o próprio convite para integrar o Instituto Esporte com Propósito surgiu via redes sociais. A atleta defende que outros praticantes invistam na construção de imagem para atrair patrocínios: “Eu acho que o atleta precisa entender que precisa criar um posicionamento nas redes sociais. Ele precisa ser visto, ser lembrado e ser mostrado para as empresas privadas e até governamentais”, afirmou. 

O cinturão conquistado no Japão simboliza a possibilidade de transformar o esporte em carreira. A trajetória, contudo, teve pausas: Maria Clara ficou três anos afastada dos tatames antes de retomar os treinos. Ela conta que demorou para acreditar que poderia se tornar uma atleta de destaque e, principalmente, que seria possível viver financeiramente do esporte.

Se pudesse enviar uma mensagem à sua versão do passado, a conselho seria direto: “Acredita em você e continua, que as coisas vão dar certo”. Hoje, a atleta diz viver uma rotina que antes parecia distante: trabalha de casa, organiza os próprios horários, treina diariamente e viaja pelo mundo para competir.

Para os atletas que seguem treinando nos tatames do Distrito Federal em busca de uma oportunidade, Maria Clara deixa ainda outro conselho: treinar é indispensável, mas saber mostrar o próprio trabalho também pode ser decisivo para chegar ao topo.

Maria Clara iniciou a jornada nos tatames aos 16 anos e, desde então, acumula conquistas expressivas na modalidade. Aos 25 anos, a atleta já ostenta os títulos de campeã brasileira e tricampeã sul-americana, e soma agora o título de campeã mundial ao currículo.

Em julho deste ano, Maria Clara conquistou a faixa preta e compartilhou o feito em seu perfil no Instagram, onde acumula mais de 90 mil seguidores. Na publicação, a atleta destacou que, mais do que as graduações em si, guarda na memória as pessoas que cruzaram seu caminho dentro e fora dos tatames.

“No fim, a faixa virou consequência de momentos inesquecíveis com pessoas incríveis”, escreveu.

Sport Jiu-Jitsu International Federation (SJJIF)

A SJJIF atua com a missão de transformar o jiu-jitsu em um esporte olímpico. Ao estabelecer um conjunto unificado de regras, a federação promoveu a integração de entidades existentes e a realização de competições internacionais de alto nível, visando alinhar a modalidade aos padrões e ao espírito do movimento olímpico.

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