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Praças de BH sofrem com reformas que não terminam e abandono

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Praças de BH sofrem com reformas que não terminam e abandono

Belo Horizonte – Praças de diferentes regiões da capital mineira não têm se mostrado o melhor espaço de convivência para os moradores da cidade: algumas estão em obras, outras aguardam o início das intervenções e há ainda espaços que, segundo moradores, enfrentam abandono e problemas de conservação.

O cenário coloca em discussão não apenas a recuperação da infraestrutura, mas também a manutenção e o uso dos espaços públicos da capital.

Entre as intervenções em andamento estão as reformas das praças Alaska, Dom Bosco, Nova York e do Parque Barragem Santa Lúcia. As obras têm recursos previstos por meio de emendas parlamentares destinadas pela vereadora Fernanda Pereira Altoé.

Na Praça Dom Bosco, no Grajaú, região Oeste da capital, a obra recebeu R$ 250 mil e entrou na fase final de execução após ter começado em novembro de 2025.

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Área da Praça Dom Bosco já reformada
Área verde e descanso recém-reformada na Praça Dom Bosco
Pista de entrada, com gramas recém-plantadas na Praça Dom Bosco, no bairro Grajaú
Metrópoles
Tapumes e caçamba com restos da obra da Praça Dom Bosco que está prestes a ser reinaugurada
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Tapumes e caçamba com restos da obra da Praça Dom Bosco que está prestes a ser reinaugurada

Daniel Galera/Metrópoles
Área da Praça Dom Bosco já reformada
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Área da Praça Dom Bosco já reformada

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Área verde e descanso recém-reformada na Praça Dom Bosco
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Área verde e descanso recém-reformada na Praça Dom Bosco

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Pista de entrada, com gramas recém-plantadas na Praça Dom Bosco, no bairro Grajaú
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Pista de entrada, com gramas recém-plantadas na Praça Dom Bosco, no bairro Grajaú

Daniel Galera/Metrópoles

Segundo a Subsecretaria de Zeladoria Urbana (Suzurb) da prefeitura de Belo Horizonte (PBH) a obra encontra-se em fase final de acabamento. A entrega do espaço está prevista para ocorrer até o fim de setembro.

A reforma contemplou a implantação de acessibilidade em todos os platôs da praça, melhorias no sistema de drenagem, recuperação dos pisos, restauração dos equipamentos existentes, incluindo academia a céu aberto. Foram executados novos espaços de convivência e lazer, remodelação do playground de acordo com as normas de segurança, áreas de descanso com mesas, espaço exclusivo para animais de estimação cercado por vegetação e meia-quadra de basquete.

Já as praças Alaska e Nova York começaram a receber intervenções em julho de 2026. A primeira conta com R$ 300 mil em emenda, enquanto a segunda recebeu R$ 250 mil.

Também está em execução a reforma do Parque Barragem Santa Lúcia, que recebeu R$ 300 mil em emenda. A intervenção começou em junho deste ano. Outros espaços, entretanto, ainda aguardam o avanço das etapas necessárias para que as obras saiam do papel.

Praça do Papa é entregue após mais de dois anos de obras

Um dos principais cartões-postais de Belo Horizonte, a Praça do Papa foi reaberta em 7 de agosto de 2026, após mais de dois anos de intervenções. A revitalização recebeu investimento de aproximadamente R$ 12 milhões.

Praça do Papa em BH
Praça do Papa em BH

A reforma incluiu a substituição do piso, recuperação do paisagismo, instalação de sistema de irrigação automática, novos bancos, playground, equipamentos de ginástica e modernização da iluminação. Uma antiga via também foi incorporada à área da praça.

A obra foi marcada por atrasos e alterações no cronograma. O contrato recebeu sete aditivos e a previsão inicial era de que os trabalhos fossem concluídos em 2024.

Apesar da reforma ter sido entregue há menos de um mês, os estragos já começaram a aparecer na nova área de brinquedos para as crianças. No dia 22 de agosto, o Metrópoles flagrou um dos brinquedos quebrado, deixando expostas duas barras de ferro que podem trazer perigo para quem circula pelo local.

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Área de brinquedos da Praça do Papa, lotada após inauguração. Criança brinca ao lado de aparelho quebrado.
Metrópoles
Crianças se divertem na nova área de recreação inaugurada há menos de um mês
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Crianças se divertem na nova área de recreação inaugurada há menos de um mês

Daniel Galera/Metrópoles
Área de brinquedos da Praça do Papa, lotada após inauguração. Criança brinca ao lado de aparelho quebrado.
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Área de brinquedos da Praça do Papa, lotada após inauguração. Criança brinca ao lado de aparelho quebrado.

Daniel Galera/Metrópoles

Emendas aprovadas ainda aguardam execução

O levantamento apresentado pelo gabinete da vereadora Fernanda Altoé (Novo) mostra que parte dos recursos destinados às praças ainda não resultou em obras concluídas.

É o caso da Praça Antônio M. de Araújo, que recebeu R$ 250 mil em emenda de 2022. A ordem de serviço foi dada em julho de 2026, mas a intervenção ainda é apontada como pendente no balanço do mandato.

Situação semelhante ocorre com o Parque Renato Azeredo, que tem R$ 262 mil destinados à reforma e também recebeu ordem de serviço em julho deste ano. A lista inclui ainda as praças Doutor Íris Valadares e São Francisco das Chagas, além de pistas de skate na região do JK.

A Praça Marília de Dirceu, oficialmente Praça João Luiz Alves, recebeu R$ 200 mil para reforma. Parte da intervenção já foi realizada, incluindo a troca do calçamento, mas ainda falta a implantação do parquinho.

Para Fernanda Altoé, a demora na execução das emendas é um dos principais problemas. Segundo a vereadora, existem recursos aprovados que levam anos até que a Prefeitura efetivamente execute as intervenções.

Praça Carmo Couri é limpa após denúncia

Enquanto algumas praças recebem obras, moradores do bairro São Bento, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, denunciam o que classificam como abandono da Praça Carmo Couri.

Segundo a denúncia encaminhada à reportagem, o espaço estaria sendo ocupado de forma permanente, com barracas, varais, acúmulo de objetos e lixo e instalações elétricas improvisadas.

Os moradores afirmam que já procuraram a Prefeitura, a assistência social e órgãos de segurança. Equipes dos serviços públicos chegaram a ir ao local. A comunidade também reivindica melhorias na iluminação, poda de árvores e a possibilidade de adoção da praça pelos próprios moradores.

praça
Praça Carmo Couri no bairro São bento em BH, situação de abandono

Na avaliação dos moradores, a questão não deve ser tratada apenas como um problema de segurança ou zeladoria. Pessoas em situação de vulnerabilidade precisam receber atendimento e uma solução digna, mas a praça também precisa ser recuperada e devolvida ao uso coletivo.

Após denúncia, moradores entraram em contato com a reportagem do Metrópoles e informaram que agentes da prefeitura limparam a Praça Carmo Couri, na quarta-feira (2/9).

Investimentos e manutenção periódica

Altoé defende que a conservação das praças produz um efeito que vai além da melhoria estética. Ela cita a chamada “teoria das janelas quebradas” para argumentar que ambientes degradados podem transmitir uma sensação de abandono, enquanto locais bem cuidados estimulam a própria população a preservá-los.

“Lugar bem cuidado, todo mundo cuida”, resume a vereadora.

Desde 2021, Altoé afirma ter concentrado parte de sua atuação parlamentar na recuperação desses espaços. Entre as propostas defendidas por ela está a transformação do programa Adote o Verde em uma política permanente, permitindo que empresas e outros parceiros contribuam para a conservação de áreas públicas.

Uma lista de espera pelas obras

Entre as emendas apresentadas pelo gabinete estão R$ 200 mil para o Parcão do Parque Orlando de Carvalho Silveira; R$ 300 mil para a Praça da Lavadeira; R$ 200 mil para a reforma da mureta da escadaria do Buracão da Nicarágua; e R$ 216.950 para a portaria norte do Parque das Mangabeiras, esta última apontada como em execução.

A Praça Milton Campos, na região Centro-Sul, também aparece no levantamento. O espaço, localizado na confluência da Avenida Afonso Pena com a Avenida do Contorno, recebeu R$ 300 mil em uma emenda e outros R$ 300 mil posteriormente, segundo a vereadora.

A Praça da Marinha, no Belvedere, também está entre os espaços citados para uma futura reforma. Segundo as informações fornecidas pelo gabinete, a intervenção ainda depende de licitação.

Para Altoé, a discussão sobre as praças faz parte de um debate mais amplo sobre planejamento urbano. Ela critica o que considera excesso de burocracia na administração pública e defende uma gestão capaz de acompanhar as transformações da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Enquanto novas obras são anunciadas e antigas emendas começam a sair do papel, moradores seguem cobrando que a recuperação das praças venha acompanhada de manutenção contínua. Para quem utiliza esses espaços diariamente, a qualidade de uma praça não depende apenas da inauguração de uma reforma, mas da capacidade de mantê-la viva, acessível e preservada ao longo do tempo.

O que diz a prefeitura de BH

A Subsecretaria Municipal de Zeladoria Urbana (Suzurb) da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) é a responsável pela manutenção de rotina das praças que compreende serviços de capina, limpeza, varrição, despraguejamento, poda das árvores, pintura, manutenção do piso, plantio de grama e reparo simples em mobiliário.

A PBH tem 10 regionais e cada uma delas é responsável por vistoriar suas praças, fazer as manutenções e reparos de forma periódica ao longo do ano.

Segundo a administração municipal, estão previstos R$ 44 milhões destinados em 2026, para os serviços de manutenção de árvores, incluindo a conservação e limpeza de praças, jardins e canteiros centrais. Em 2025, foram investidos R$ 40 milhões neste trabalho.

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