A autorização do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) para a Petrobras perfurar mais três poços exploratórios na Margem Equatorial abre uma nova etapa na avaliação do potencial petrolífero da região.
A medida ocorre após a descoberta de petróleo no poço Morpho, no litoral do Amapá, e permitirá avançar na delimitação da área e na análise de sua viabilidade comercial.
Essas explorações acontecem em meio a um momento de busca global por novas reservas de petróleo, diante de conflitos em regiões produtoras e da transição energética.
“O mundo inteiro está procurando novas reservas porque temos um conflito no Oriente Médio. A transição energética não vai implicar a substituição do petróleo, mas, sim, a adição de outras fontes de energia renováveis. O petróleo continua sendo necessário, e o Brasil precisa de petróleo”, avaliou ao CNN Money o presidente da Abespetro (Associação Brasileira das Empresas de Bens e Serviços de Petróleo), Telmo Ghiorzi.
Um estudo da CNI (Confederação Nacional da Indústria) estima que a exploração da Margem Equatorial possa gerar 495 mil empregos e acrescentar R$ 175 bilhões ao PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro.
Além disso, a entidade também projeta um potencial de R$ 3,6 bilhões a R$ 5,4 bilhões em royalties anuais.
Esses números, porém, são projeções, ainda é necessário concluir a campanha exploratória para determinar o volume recuperável, a qualidade do petróleo e se a produção será economicamente viável.
“A liberação do Ibama representa a possibilidade de confirmar a descoberta feita em Morpho, delimitá-la e avaliar sua comercialidade”, apontou Marcio Felix, presidente da ABPIP (Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás) e ex-secretário de Petróleo, Gás e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, ao CNN Money.
O Amapá aparece como um dos principais pontos de atenção, já que a descoberta de Morpho está localizada na costa do estado. Segundo estudos citados por Felix, a confirmação da viabilidade econômica poderia elevar o PIB estadual em pelos menos 60% e gerar cerca de 50 mil empregos.
E o impacto iria além da produção de petróleo, segundo Marcus D’Elia, sócio da Leggio Consultoria. Caso o Amapá seja escolhido como base offshore, seriam necessários investimentos em logística, transporte, manutenção e fornecedores, criando uma nova cadeia econômica no Estado.
“Se o volume previsto se confirmar, o Estado pode se tornar um novo polo da indústria de óleo e gás brasileira”, explicou.
Estimativas do setor apontam para um potencial de até 30 bilhões de barris na Margem Equatorial. O número, no entanto, é apenas uma estimativa e não representa reservas comprovadas.
Ao CNN Money, Telmo Ghiorzi avaliou que o caminho até uma eventual extração será longo.
“Depois da campanha exploratória, será necessário comprovar a comercialidade da descoberta e obter a aprovação da ANP [Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis]”, afirmou o presidente da Abespetro.
Nesse sentido, Eberaldo de Almeida Neto, ex-presidente do IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis), alerta para a demora que o processo tem tido em avançar.
Ao observar países como Guiana e Suriname que se aproveitam de reservas análogas à Margem Equatorial, o especialista aponta “um problema”.
“Enquanto os vizinhos estão produzindo, a gente perdeu esse tempo todo. E a outra questão é que se a gente não abrir novas fronteiras no Brasil, a gente pode sair da posição de exportador de petróleo para importador de petróleo“, pontuou.
Apesar das incertezas sobre o real tamanho das reservas, os especialistas ouvidos pelo CNN Money consideram a autorização do Ibama um sinal positivo para o avanço das atividades na região.
Para D’Elia, a decisão indica que o plano de contingência apresentado pela Petrobras foi considerado adequado para a continuidade da exploração.

