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Política externa ganha centralidade na eleição e desafia próximo presidente

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Política externa ganha centralidade na eleição e desafia próximo presidente

Em 2026, a política externa virou tema central nas campanhas dos candidatos à Presidência diante de tensões geopolíticas, guerra tarifária e ameaças à soberania. Os programas de governo dos presidenciáveis dedicam seções inteiras às propostas relacionadas pauta internacional, que vão desde o combate ao crime organizado à questão dos minerais críticos.

O tema ganhou centralidade após o tarifaço e sanções impostas pelos Estados Unidos (EUA) ao Brasil desde o segundo semestre de 2025. De lá para cá, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), hoje candidato à reeleição, e seus opositores passaram a explorar a questão sob diferentes prismas com o objetivo de angrariar apoio eleitoral.

Na avaliação de especialistas ouvidos pelo Metrópoles, a tática de importar pautas da agenda externa para obter ganhos políticos não é nova, e tem sido explorada por líderes mundiais, como Donald Trump, a partir do tarifaço, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, com a guerra na Ucrânia.

Nesse contexto, o futuro da relação com os Estados Unidos, a construção de alianças comerciais e a integração com países vizinhos aparecem como temas caros aos postulantes ao Palácio do Planalto e devem ser desafios para o próximo mandato.

Além disso, o combate ao crime organizado, a política para minerais críticos e terras raras e as plataformas digitais também ganham destaque na relação com países parceiros.

Distância

Professor do Departamento de Relações Internacionais do Ibmec, José Luiz Niemeyer observa que o próximo presidente precisa manter uma relação equidistante com as principais potências, a exemplo dos EUA, China e União Europeia, diante de um cenário global muito fragmentado.

O especialista também sinaliza para um alinhamento maior com os Estados Unidos caso o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, saia vencedor do pleito de outubro. Por outro lado, se Lula for alçado a um quarto mandato, Niemeyer projeta uma relação pacífica com o republicano, apesar das crises recentes, impulsionada pelo cenário interno da política americana.

“Ele [Trump] vai perder apoio no Congresso, está perdendo apoio na população de maneira impressionante, inclusive junto aos republicanos. Ele não tem grandes chances de fazer um sucessor — que deve ser o Marco Rubio ou o vice-presidente J.D Vance”, explica.

O professor entende que a tendência é o republicano perder poder internamente.

“Então, a situação de Trump, na minha opinião, não vai ser uma situação de ‘pato manco’, mas ele vai ter dois anos de administração federal da Casa Branca com menos poder, principalmente junto àqueles que ele tem que convencer 24 horas por dia da sua agenda muito alternativa em política externa”, avalia o professor.

Entre aliados de Lula, a relação com os Estados Unidos é vista como o maior desafio para a próxima gestão, caso reeleito. Sob liderança de Trump, o país adota uma política de segurança nacional que coloca a América Latina como região estratégica para os interesses norte-americanos no Hemisfério Ocidental.

A Estratégia Nacional de Defesa dos EUA, documento que orienta as políticas militares do país, a gestão de Donald Trump fala em assegurar que as nações da região “respeitem e façam a sua parte na defesa de nossos interesses compartilhados”, caso contrário, estarão sujeitas a “ações focadas e decisivas que promovam os interesses dos EUA”.

Nesse sentido, para a Casa Branca, ter aliados ideológicos no comando de países da região é essencial para se fazer cumprir a doutrina.

Atualmente, o governo busca retomar as negociações com os EUA após o tarifaço aplicado em julho. A reaproximação se deu depois de uma conversa direta entre Lula e Trump na última semana. No entanto, a administração do republicano é vista por negociadores como muito volátil e imprevisível, o que dificulta a manutenção do diálogo.


Eleições e política externa

  • Desafios globais colocam a política externa no centro das eleições brasileiras.
  • Candidatos ao Palácio do Planalto usam temas como a soberania, a exploração de terras raras e o combate ao crime nas fronteiras como bandeira de campanha.
  • Em julho, o presidente argentino, Javier Milei, participou da convenção que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.
  • Na ocasião, Milei proferiu ofensas ao presidente brasileiro, que resultou no rebaixamento das relações diplomáticas entre os países.
  • A eleição brasileira também é marcada pelo temor de interferências estrangeiras no pleito.
  • Recentemente, o governo Lula negou o visto de dois auxiliares de Trump que planejavam vir ao Brasil para lançar dúvidas sobre o processo eleitoral.

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Lula e Trump na Malásia
Flávio Bolsonaro e Donald Trump na Casa Branca
Após reunião com Flávio Bolsonaro, Trump decidiu por tarifaço
Lula, Trump, Flávio Bolsonaro e Eduardo
Lula
Metrópoles
Presidente Lula em reunião com o presidente dos EUA, Donald Trump
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Presidente Lula em reunião com o presidente dos EUA, Donald Trump

Ricardo Stuckert / PR
Lula e Trump na Malásia
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Lula e Trump na Malásia

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Flávio Bolsonaro e Donald Trump na Casa Branca
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Flávio Bolsonaro e Donald Trump na Casa Branca

Divulgação/Donald Trumo
Após reunião com Flávio Bolsonaro, Trump decidiu por tarifaço
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Após reunião com Flávio Bolsonaro, Trump decidiu por tarifaço

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Lula, Trump, Flávio Bolsonaro e Eduardo
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Lula, Trump, Flávio Bolsonaro e Eduardo

Alice Rabello
Lula
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Lula

Ricardo Stuckert/PR
O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro
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O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro

Samuel Pancher / Metrópoles

Outros desafios

Nos próximos quatro anos, o chefe do Executivo brasileiro também precisará fortalecer as relações comerciais com parceiros estratégicos. Especialistas veem como positiva as iniciativas que apostam em uma política externa voltada à abertura de mercados e à integração de empresas brasileiras ao cenário internacional.

“O Brasil é ouvido em fóruns internacionais, participa do G20, dos Brics e do Mercosul e possui dimensões territorial, agrícola, energética e ambiental relevantes. Mas influência diplomática não se converte automaticamente em produtividade, investimento ou tecnologia. O próximo governo precisará aproximar Itamaraty, MDIC, ApexBrasil, Camex e política industrial”, ressalta João Alfredo Nyegray, professor de administração e negócios internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).

Regionalmente, o professor avalia que a integração latino-americana também será um questão para a diplomacia do próximo governo, qualquer que seja o resultado do pleito. No caso específico de Lula, ele teria de buscar convergências com vizinhos ideologicamente opostos, diante da ascensão de líderes de direita e centro-direita na região.

A política de integração, portanto, deve ser pragmática, buscando temas de interesse para o desenvolvimento da região, como infraestrutura, energia, segurança, comércio, entre outros.

Por outro lado, em um cenário no qual Flávio é eleito, a relação com líderes de direita pode se mostrar mais fácil. No entanto, especialistas projetam entraves caso a política regional fique restrita a aliados ideológicos e coloque governos de esquerda como “adversários”. “Foi precisamente esse tipo de politização que enfraqueceu iniciativas regionais em diferentes momentos”, pontua Nyegray.

“A questão fundamental, portanto, não é saber se haverá mais governos de direita ou de esquerda. É saber se o próximo presidente brasileiro será capaz de construir uma integração que sobreviva à alternância de poder. Mercosul, corredores bioceânicos, integração energética, infraestrutura fronteiriça e combate ao narcotráfico precisam continuar existindo quando um governo muda de orientação ideológica”, completa o especialista.

O senador tem apostado na proximidade com líderes regionais para angrariar apoio eleitoral. O presidente argentino, Javier Milei, participou da convenção que oficializou a candidatura de Flávio, em julho, em São Paulo. Na ocasião, o candidato do PL afirmou que a “onda azul” chegará ao Brasil, em referência ao movimento de lideranças de direita eleitas na América do Sul.

Outras questões como a cooperação para combate ao crime organizado transacional, a exploração de minerais críticos e a política para plataformas digitais também são vistas como centrais para o próximo mandato. Nos planos de governo dos candidatos ao Palácio do Planalto, esses temas aparecem associados à soberania nacional.

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