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Moraes, economia, bodycams e escala 6x1: veja temas da sabatina de Caiado

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Moraes, economia, bodycams e escala 6x1: veja temas da sabatina de Caiado

O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) defendeu o afastamento do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e afirmou que o Senado já teria, agora, maioria para abrir um processo de impeachment contra o magistrado. Em sabatina à CNN Brasil nesta quarta-feira (2/9), o ex-governador de Goiás também prometeu cortar ao menos R$ 100 bilhões em despesas caso seja eleito, afirmou que pretende declarar facções criminosas como organizações terroristas e voltou a criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

As declarações ocorreram durante uma entrevista de cerca de uma hora, na qual Caiado foi questionado sobre alguns dos principais temas da campanha presidencial, como segurança pública, equilíbrio fiscal, escala 6×1, terras raras e a relação entre Executivo e Judiciário.

Moraes não deveria permanecer no STF

Ao comentar as novas revelações sobre as relações entre Moraes e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, Caiado afirmou considerar “inaceitável” a permanência do ministro no Supremo.

“Eu não vejo como ele permanecer no Supremo. Isso seria um desrespeito completo com a sociedade brasileira”, afirmou.

Caiado defendeu que o próprio STF abra uma discussão sobre o caso e determine o afastamento de Moraes. Na avaliação dele, caberia também ao Senado analisar um eventual processo de impeachment.

“O Senado Federal, hoje, tem maioria para pedir o impeachment e votar o impeachment do ministro do Supremo”, disse.

O candidato ainda afirmou que o país corre risco de sofrer um “golpe” caso informações relacionadas a investigações envolvendo autoridades permaneçam sob sigilo. Para Caiado, documentos e operações que possam afetar candidatos precisam ser divulgados antes das eleições para que os eleitores tenham conhecimento sobre eventuais envolvidos em irregularidades.

“É hora do Supremo saber da sua responsabilidade, saber que ele tem que quebrar o sigilo de todo processo que existe hoje para que a sociedade saiba em quem está votando”, afirmou.

Ainda sobre o STF, Caiado defendeu elevar para 60 anos a idade mínima para que uma pessoa possa chegar ao tribunal. Também propôs uma espécie de investigação ampliada sobre os indicados antes da nomeação, capaz de levantar informações sobre sua vida pregressa e avaliar sua trajetória jurídica.

Cortes de R$ 130 bilhões

Na economia, Caiado foi questionado sobre onde pretende cortar despesas para atingir a meta de superávit de 0,5% do PIB defendida por sua campanha. O candidato afirmou que pretende reduzir inicialmente pelo menos R$ 100 bilhões em gastos e disse que, somadas as medidas, poderia alcançar uma economia de R$ 120 bilhões a R$ 130 bilhões.

Entre as medidas citadas estão um corte de R$ 50 bilhões em emendas impositivas, uma redução de 25% no custeio dos Poderes e órgãos independentes, revisão de incentivos fiscais e uma auditoria no sistema de benefícios.

Questionado especificamente sobre uma possível desvinculação dos benefícios previdenciários do reajuste do salário mínimo, Caiado disse que não pretende começar o ajuste por aposentados e beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC) — mesmo após seu coordenador de campanha, Roberto Brant, ter defendido a desvinculação do reajuste das aposentadorias do salário mínimo. Caiado afirmou que a decisão final caberia a ele, caso eleito.

Ele também atribuiu parte dos problemas econômicos brasileiros ao alto nível de endividamento e aos juros.

Câmeras corporais

Na área de segurança pública, Caiado foi questionado sobre o uso de câmeras corporais por policiais em operações de alta letalidade. Ao ser perguntado se equipamentos poderiam aumentar a transparência das ações, o candidato foi contundente:

“Eu nunca vi um campo de guerra policial ter câmera”, declarou.

Caiado justificou o comentário dizendo que operações contra facções em comunidades se aproximariam, na visão dele, de situações de guerra, e citou o poderio bélico dos criminosos.

Ele disse que, como presidente, não obrigaria os governadores a adotarem o equipamento, mas forneceria câmeras aos estados que desejassem utilizá-las. Caiado também afirmou que pretende ampliar o uso de inteligência artificial na segurança pública.

Ainda falando sobre segurança pública, outra proposta apresentada pelo ex-governador foi a classificação de facções criminosas como organizações terroristas — segundo ele, a medida permitiria ampliar a atuação do governo federal contra as facções.

Caiado afirmou ainda que pretende construir 40 presídios de segurança máxima e criar um Ministério da Segurança Pública.

“Vou despachar no Morro do Alemão”

Ao ser questionado sobre a operação policial realizada no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, que deixou mais de 120 mortos em 2025, Caiado evitou fazer uma crítica ao número de mortes e avaliou que o principal problema foi a falta de continuidade da ação.

“Foi feita uma operação, não foi feita a continuidade da operação”, afirmou.

O candidato disse que esteve no Complexo do Alemão e afirmou que, se eleito, pretende trabalhar diretamente em comunidades do Rio.

“Eu vou despachar no Rio de Janeiro, na primeira semana que eu for, eu vou despachar dentro do Morro do Alemão. A outra vez que eu for, eu vou despachar no Complexo da Penha, depois no Morro do Borel”, declarou.

Lula, a tabela periódica e terras raras

Ao falar sobre a exploração de terras raras e minerais críticos, Caiado aproveitou para criticar Lula diretamente, afirmando que foi necessário ele, como governador, ensinar ao presidente sobre o potencial econômico das chamadas terras raras.

“Eu acredito que o Lula não saiba nem o que é uma tabela periódica”, acrescentou Caiado.

Na sequência, citou elementos químicos como disprósio e neodímio e criticou o que classificou como falta de conhecimento do governo federal sobre minerais estratégicos, defendo a necessidade de uma legislação voltada aos minerais críticos e que o Brasil deixe de exportar os recursos apenas como matéria-prima.

Escala 6×1

Caiado também foi questionado sobre sua posição em relação ao fim da escala 6×1. O candidato voltou a dizer que nunca foi contrário à mudança para uma jornada 5×2, mas que sua crítica anterior era ao fato de o debate ocorrer em um ano eleitoral.

Ele também defendeu que a mudança constitucional considere a situação de micro e pequenas empresas. Apesar disso, questionado se continuaria favorável ao 5×2 mesmo sem a inclusão da exceção que defende para tais negócios, respondeu que sim.

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