Práticas voltadas ao bem-estar emocional, como mindfulness e exercícios de gratidão, podem ajudar a reduzir a pressão arterial em poucas semanas. É o que indica uma análise que reuniu resultados de diferentes estudos clínicos sobre intervenções de psicologia positiva.
O trabalho, publicado em maio na revista Cardiology Clinics, avaliou 18 ensaios clínicos randomizados. Os participantes, em geral, tinham risco cardiovascular elevado, com condições como hipertensão e insuficiência cardíaca.
Como funcionam as intervenções
Os programas analisados variaram no formato. Parte deles foi conduzida por telefone, aplicativos ou mensagens, enquanto outros incluíram encontros presenciais ou modelos híbridos. A maioria envolvia sessões semanais combinadas com atividades realizadas em casa. Os programas duraram, em geral, entre seis e doze semanas.
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Entre as práticas adotadas estavam mindfulness — técnica de atenção plena voltada ao foco no momento presente — além de escrita de gratidão e exercícios para estimular o otimismo. Em alguns casos, os participantes também recebiam orientações para melhorar hábitos como alimentação, atividade física e uso correto de medicamentos.
Efeitos na pressão e na inflamação
De acordo com a pesquisadora Rosalba Hernandez, da Universidade de Illinois Urbana-Champaign, intervenções baseadas em mindfulness ao longo de oito semanas reduziram a pressão arterial sistólica e marcadores inflamatórios. “Programas aplicados nesse período mostraram queda na pressão e em indicadores como a proteína C-reativa”, afirmou.
Uma das análises citadas aponta redução de 7,6 pontos na pressão sistólica em um programa digital de 12 semanas. Também houve queda na pressão medida na aorta.
Os resultados indicam que a prática frequente dessas técnicas pode influenciar fatores relacionados ao risco cardiovascular.
Frequência faz diferença
A análise identificou que programas com contato mais frequente com os participantes apresentaram resultados mais consistentes.
Intervenções com atividades diárias combinadas a sessões semanais mostraram melhor desempenho na redução da pressão arterial, inflamação e melhora da função dos vasos sanguíneos.
Em um dos programas, realizado por mensagens, os participantes aumentaram em média 1.800 passos por dia e melhoraram a adesão ao tratamento medicamentoso.
Relação entre comportamento e saúde cardíaca
Os autores apontam que parte dos efeitos pode estar relacionada a mudanças no estilo de vida. Pessoas que participaram das intervenções passaram a se exercitar mais, se alimentar melhor e seguir o tratamento com mais regularidade.
Para os pesquisadores, incluir estratégias de saúde mental no cuidado cardiovascular pode contribuir para o controle de fatores de risco.
Ainda assim, os resultados indicam que a manutenção desses benefícios pode depender de acompanhamento contínuo ao longo do tempo.

