O presidente do TSE, ministro Nunes Marques, atendeu parcialmente a um pedido do PT e determinou a retirada de publicações do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) que colocam em dúvida a segurança das urnas eletrônicas.
Na decisão, assinada na segunda-feira (31/8), Nunes deu prazo de 24 horas para que Eduardo ou a plataforma X (antigo Twitter) removam duas publicações feitas pelo ex-deputado no dia 17 de julho.




Presidente Lula, candidato à reeleição
Ricardo StuckertEx-deputado federal, Eduardo Bolsonaro (PL)
Reprodução Rede Comunica BrasilFlávio Bolsonaro
Samuel Pancher / MetrópolesO ministro também determinou que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se abstenha de repetir e republicar conteúdos que associem a empresa Smartmatic às urnas brasileiras.
O despacho ainda proíbe Eduardo de divulgar informações “sabidamente falsas” que coloquem em dúvida a segurança e a integridade do sistema eletrônico de votação, que será usado nas eleições de outubro.
Como noticiou a coluna, a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, acionou o TSE após Eduardo divulgar conteúdos sobre as urnas e realizar uma live de mais de 55 minutos ao lado do estrategista argentino Fernando Cerimedo.
Na ocasião, a federação pediu a retirada das publicações, a proibição de novos conteúdos com o mesmo teor e multa.
Ao analisar duas publicações feitas por Eduardo no X, Nunes Marques afirmou que o ex-deputado usou informações referentes ao sistema eleitoral da Venezuela para lançar dúvidas sobre as urnas brasileiras.
Leia também
Em uma delas, Eduardo questionou se, no Brasil, as urnas seriam “realmente invioláveis”. Para o ministro, a formulação tem “caráter enganoso” e promove uma “grave descontextualização” capaz de provocar desconfiança no eleitorado sobre a integridade das eleições.
Nunes também determinou que plataformas como Instagram, Facebook, X, YouTube, TikTok e Rumble adotem medidas para impedir a propagação de conteúdos que reiterem a associação entre a Smartmatic e as urnas eletrônicas brasileiras.
A decisão, porém, não acolheu os pedidos relacionados às publicações da deputada Júlia Zanatta (PL-SC) e do deputado Gustavo Gayer (PL-GO), que também fizeram postagens sobre o modelo de votação.
No caso de Zanatta, Nunes entendeu que a postagem não fazia referência às urnas brasileiras. Em relação a Gayer, avaliou que, embora houvesse uma “insinuação política”, o parlamentar não fez afirmação expressa de fraude no sistema eletrônico de votação.
TSE poupou Flávio Bolsonaro
Na mesma decisão, Nunes Marques também analisou uma declaração do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) durante um evento com representantes diplomáticos, em julho.
O ministro afirmou que a fala de Flávio sobre as urnas brasileiras serem provenientes da Smartmatic reproduziu de forma “direta e categórica” um fato que a Justiça Eleitoral já declarou reiteradamente ser inverídico. Para Nunes, a declaração foi uma “aparente ilicitude da conduta”.
Apesar da avaliação, o ministro não determinou nenhuma medida contra Flávio nesse ponto porque o pedido de remoção apresentado na ação se restringia às publicações de Eduardo, Gayer e Zanatta.

