Belo Horizonte – A Cachoeira do Tabuleiro, em Conceição do Mato Dentro, Região Central de Minas, poderá ser reaberta após decisão da Justiça nessa terça-feira (2/9). A autorização foi concedida pela Vara Única da Comarca de Conceição do Mato Dentro depois que o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) reconheceu que o município cumpriu a maior parte das medidas de segurança previstas em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado em dezembro de 2025.
O poço principal da cachoeira estava fechado desde 24 de julho, quando a interdição foi solicitada pelo MPMG. Para permitir a retomada das atividades, a Justiça determinou que os equipamentos de monitoramento instalados funcionem de maneira contínua e ininterrupta, além da manutenção dos protocolos de segurança atualmente adotados.
Localizada no Parque Natural Municipal do Tabuleiro, a atração faz parte da Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço, reconhecida pela Unesco. O local abriga a cachoeira considerada a mais alta de Minas Gerais e a terceira maior do Brasil.
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Equipamentos foram instalados após interdição
Durante o período em que a cachoeira permaneceu interditada, o município implantou novos mecanismos para acompanhar as condições da área.
- Nos dias 23 e 24 de julho: Foi instalada uma estação sismográfica permanente, equipada com geofone triaxial ligado ao maciço rochoso. O sistema possui alimentação solar autônoma e permite o envio remoto de informações em tempo real.
- Nos dias 4 e 5 de agosto: Uma estação hidrometeorológica começou a funcionar no ponto conhecido como Alto da Cachoeira da Andorinha, situado cerca de dois quilômetros a montante da queda principal. O equipamento realiza acompanhamento contínuo dos índices de chuva e do nível do curso d’água.
Outra medida adotada pelo Município foi a criação do Sistema Permanente de Segurança do Parque Natural Municipal do Tabuleiro (SISSEG-PNMT). A estrutura foi instituída pela Instrução Normativa SMMA/CMD nº 03/2026 e estabelece protocolos para o funcionamento do parque.
O sistema também prevê o acompanhamento visual e fotogramétrico do paredão rochoso por meio de drones, com o objetivo de detectar antecipadamente possíveis alterações geológicas.
Quatro itens ainda precisam ser regularizados
Apesar dos avanços, o MPMG constatou que algumas obrigações ainda não foram comprovadas pelo Município. Entre elas está a instalação, na portaria do parque, de quatro itens destinados ao acompanhamento das condições de segurança.
São elas: uma placa indicando o nome do profissional responsável pela inspeção da cachoeira; um quadro com informações das estações meteorológica e sismológica; um quadro com os índices de chuva registrados a montante e o tempo de deflúvio; e outro contendo os histogramas das atividades de vibração mais recentes.
O Município terá 15 dias para providenciar a regularização desses itens.
Além disso, o MPMG determinou que seja apresentada uma nova avaliação geológico-geotécnica do paredão rochoso. O documento deverá ser entregue em até 30 dias após o encerramento do próximo período chuvoso, conforme a exigência feita pelo responsável técnico pela análise das condições do maciço.
Caso as determinações não sejam cumpridas, a área poderá ser novamente interditada.
O Ministério Público de Minas Gerais informou ainda que continuará acompanhando o cumprimento de todas as obrigações estabelecidas no acordo.
Sobre a cachoeira
Com 280 metros de altura, a Cachoeira do Tabuleiro é um dos principais cartões-postais de Minas Gerais. Localizada na Cordilheira do Espinhaço, reconhecida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como Reserva da Biosfera, a queda d’água também integra o roteiro das Sete Maravilhas da Estrada Real.
Além da altura, a cachoeira chama a atenção pela formação rochosa que, vista de frente, lembra o formato de um coração, característica que se tornou um dos símbolos do atrativo.

