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Análise: Augusto Cury faz o que o políticos não conseguem desde 2014

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Análise: Augusto Cury faz o que o políticos não conseguem desde 2014

A pesquisa Quaest desta quarta-feira (2/9) dá força à tese de que o escritor Augusto Cury, candidato à Presidência da República pelo Avante, conseguiu algo que nenhum político havia conseguido desde 2014: tirar o eleitor que rejeita a polarização do ostracismo.

O escritor chegou a 10% das intenções de voto em um dos institutos mais prestigiados do país, consolidando-se como uma espécie de “terceira via” na polarizada eleição entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), mas ainda longe de incomodar os líderes.

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O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante)
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O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante)
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O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante)

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
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De acordo com os números da pesquisa Quaest, Cury tira votos tanto de Lula quanto dos candidatos da direita. Mas seu principal trunfo parece estar em outro lugar: diminuir o número de eleitores que, até então, não tinham um candidato para chamar de seu.

Desde 2014, quando Marina Silva (Rede) assumiu a candidatura após a morte de Eduardo Campos (PSB) e chegou a ameaçar Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), não se via uma candidatura fora da polarização tradicional alcançar um patamar semelhante de competitividade.

Nas eleições de 2018, por exemplo, Jair Bolsonaro (PL), Fernando Haddad (PT) e Ciro Gomes (à época no PDT) lideraram o pleito. Ciro, apesar de não ser nem petista nem bolsonarista, estava longe de ser chamado de um candidato “moderado” ou “centrista”.

Em 2022, a situação foi ainda mais drástica. Simone Tebet (MDB), que apelava ao centro como alternativa à polarização, teve 4,16% dos votos no primeiro turno. Suficiente para virar ministra de Lula, mas insuficiente para virar símbolo de uma terceira via.

Augusto Cury, por outro lado, parece ter entendido que talvez o eleitor de centro não esteja procurando um candidato de centro. Ao menos, com a cara de político de gabinete. No primeiro debate deste ano, ele se apresentou justamente como um “moderado”.

A campanha do escritor, contudo, não parece interessada em disputar o eleitorado pelo caminho tradicional da moderação. Ele tem em sua bagagem uma coletânea que mistura autoajuda e coachismo, prometendo ensinar como retomar o controle da própria vida.

No tocante às propostas, o escritor tenta chamar a atenção pelo absurdo, assim como a direita faz há anos. As ideias vão de drones para combater o feminicídio no Brasil à ideia de colocar influenciadores digitais em embaixadas brasileiras ao redor do mundo.

É uma estratégia que só funciona porque Cury, ao menos por enquanto, não parece ter uma perspectiva real de estar subindo a rampa do Palácio do Planalto em 5 de janeiro de 2027. Quem não precisa necessariamente vencer pode se dar ao luxo de ser diferente.

E talvez esteja aí a principal novidade desta eleição. O eleitor que rejeita a polarização não desapareceu. Ele apenas pode não estar procurando o tradicional candidato de centro. A polarização continua. Mas Cury mostra que o eleitor “nem Lula, nem Bolsonaro” não é fantasia.