Um empresário atuante no setor de distribuição de produtos hospitalares identificado como Alécio Soares Silva, de 44 anos (foto em destaque), apontado como o principal fiador de uma organização criminosa especializada no furto e no comércio clandestino de medicamentos destinados ao tratamento de câncer, foi preso com o irmão, Alessandro Soares Silva, de 47 anos, em Morrinhos (GO). Os dois foram capturados na última quinta-feira (27/8).
Os irmãos foram presos durante uma operação conjunta do Ministério Público de Goiás (MPGO) e da Polícia Civil de Goiás (PCGO). Eles também são suspeitos de causar prejuízos de R$ 45 milhões aos cofres públicos, decorrentes de sonegação de impostos e de mecanismos de blindagem patrimonial.
A coluna Na Mira tenta localizar a defesa dos citados na matéria. O espaço permanece aberto para manifestações.
Operação Alto Custo
Em abril deste ano, policiais civis da 10ª Delegacia de Polícia (Lago Sul) cumpriram 17 mandados de busca e apreensão e cinco de prisão preventiva durante a Operação Alto Custo.
Entre os principais itens apreendidos estavam medicamentos oncológicos que podem ultrapassar R$ 80 mil por caixa, como Imbruvica, Venclexta e Tagrisso. Devido ao alto valor de mercado e à grande demanda, os remédios eram, segundo as investigações, frequentemente desviados e posteriormente reinseridos de forma ilegal no comércio.
Na ocasião, a ação policial contou com o apoio da Divisão de Operações Especiais (DOE), da Polícia Civil de Goiás (PCGO), e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Imagens da Operação Alto Custo:




Os medicamentos foram apreendidos em operação da PCDF
Reprodução / PCDFMais apreensão
Reprodução / PCDFLeia também
Movimentação de R$ 22 milhões
As investigações conduzidas pela 10ª Delegacia de Polícia (Lago Sul) indicam que cerca de R$ 22 milhões foram movimentados, principalmente em Goiânia (GO). Cidades do Entorno do Distrito Federal, como Valparaíso de Goiás (GO) e Novo Gama (GO), também registraram transações ligadas ao esquema.
De acordo com a apuração, o líder da organização criminosa, responsável por coordenar furtos e roubos de medicamentos de altíssimo valor — especialmente os utilizados no tratamento de câncer — movimentou essa quantia em apenas um ano. O lucro era obtido por meio de um sistema estruturado de “lavagem de medicamentos”, no qual empresas de fachada emitiam notas fiscais frias para dar aparência de legalidade a produtos roubados.
Integrantes do esquema
As investigações também revelaram um preocupante esquema interno: 13 funcionários de uma empresa farmacêutica participavam do desvio dos medicamentos diretamente de dentro da companhia, utilizando métodos para mascarar os furtos e evitar suspeitas. Todos foram indiciados, assim como os líderes do grupo, presos durante a operação.
Outro ponto alarmante identificado foi o armazenamento inadequado dos medicamentos após o roubo. Sem as condições corretas de refrigeração, essenciais para preservar sua eficácia, muitos desses produtos perdiam o efeito terapêutico, tornando-se, na prática, placebos — e, em alguns casos, podendo até representar riscos à saúde.

