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Melanina pode causar deficiência de vitamina D em pessoas negras

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Melanina pode causar deficiência de vitamina D em pessoas negras

A presença de vitamina D é importante para a regulação do cálcio e fósforo em nosso organismo. Em bons níveis, ela ajuda na manutenção da saúde óssea, dos dentes e dos músculos.

No caso de pessoas negras, a absorção de vitamina D pode ser menor devido à melanina, o pigmento responsável pela cor da pele, que atua como um filtro natural dos raios solares necessários para a produção do nutriente. “Quanto maior a pigmentação da pele, menor tende a ser a produção de vitamina D para uma mesma quantidade de exposição solar”, explica o dermatologista Rafael Parisi, do Hospital Brasília.

Como consequência, pessoas negras precisam de uma quantidade maior de exposição à radiação ultravioleta B (UVB), os raios solares responsáveis pela produção do nutriente, do que um indivíduo com pele mais clara. Por outro lado, especialistas afirmam que ter pele negra não significa necessariamente que o indivíduo terá deficiência de vitamina D.

“A concentração sanguínea depende, também, da exposição à radiação UVB, latitude, estação do ano, idade, alimentação, composição corporal, doenças, medicamentos e uso de suplementos”, ressalta o nutrólogo Fabiano Girade.

Além da cor da pele, fatores socioeconômicos também influenciam

Indiretamente, fatores socioeconômicos podem interferir na produção de vitamina D no organismo. Entre os principais, estão a falta de acesso à alimentação adequada e aos alimentos fontes de vitamina D, falta de disponibilidade de áreas seguras para atividades ao ar livre, pouco acesso a acompanhamento médico e exames, e condições de moradia e trabalho inadequadas.

“Alguém que trabalha de oito a 10 horas por dia em escritório, hospital, fábrica ou shopping praticamente não recebe UVB durante esse período. Já os trabalhadores com atividade externa têm outra exposição. Morar em país ensolarado não significa que a produção de vitamina D será suficiente”, exemplifica Parisi.

O que a deficiência de vitamina D pode causar e como tratar

Como interfere na regulação do cálcio e fósforo, a falta de vitamina D no organismo pode causar consequências importantes, especialmente para a saúde óssea e dos músculos. Casos de deficiência importante e prolongada podem causar osteomalácia em adultos e raquitismo em crianças. Além disso, em alguns indivíduos, o risco de fraqueza muscular, quedas e fraturas pode ser maior.

A deficiência do nutriente é detectada através de exames de sangue. “Precisamos avaliar a fração biodisponível da vitamina D. Pode acontecer de a vitamina D total estar aparentemente baixa, enquanto a fração biodisponível esteja adequada. Por isso, o ideal é realizar uma avaliação que permita verificar adequadamente como estão esses níveis”, diz a dermatologista Paola Canabrava, do Hospital Santa Lúcia Norte, em Brasília.

A depender da avaliação individual — que levará em consideração a intensidade da deficiência, idade, peso corporal, presença de doenças associadas e capacidade de absorção —, o tratamento é definido, sendo realizado por meio de reposição via oral com suplementos.

A alimentação adequada e a exposição controlada ao sol são boas atitudes para evitar a falta do nutriente no corpo.

“Geralmente, o sol mais forte, entre aproximadamente 10h e 16h, é o que produz mais vitamina D. Porém, é preciso que essa exposição seja controlada. Não recomendamos, por exemplo, expor o rosto ou outras áreas de maior risco para o desenvolvimento de câncer de pele. A exposição pode ser feita em áreas como o antebraço ou a coxa, durante um período controlado, para evitar queimaduras e outros riscos para a pele”, ensina Paola.

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