Representantes dos governos do Brasil e dos Estados Unidos (EUA) devem se reunir nesta segunda-feira (31/8) para dar sequência às negociações comerciais retomadas após uma ligação entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump em 21/8.
Além de representantes técnicos, participam da rodada o próprio ministro Márcio Elias Rosa (do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, do USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA). Outro previsto é o ministro de Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira.
A previsão é que a reunião entre Brasil e Estados Unidos será virtual, realizada por videoconferência, no início da tarde (com horário de início estimado para as 14h30).
A conversa será a primeira rodada técnica formal após o telefonema entre os dois chefes de Estado, quando houve acordo para reabrir o canal de diálogo sobre tarifas comerciais impostas pelos EUA a produtos brasileiros.
Segundo informações divulgadas por interlocutores, o foco inicial da reunião será a discussão de medidas tarifárias em vigor, com prioridade para a análise de exceções e flexibilizações setoriais.







Tarifaço
Otavio Augusto/ Arte MetrópolesTarifaço comercial dos EUA atingiu fortemente o Brasil
Reprodução/FGVTrump cumpriu ameaça e aplicou novo tarifaço
Arte/MetrópolesDonald Trump
Arte/MetrópolesLula e Trump
Alice RabelloLula x Trump
Arte/MetrópolesTrump e Lula
Arte / MetrópolesNovo embate comercial entre Brasil e Estados Unidos reacende discussões sobre tarifas e leva governo e Congresso a avaliarem estratégias de reação à proposta norte-americana de taxar produtos brasileiros
Ricardo Stuckert/PRMinistro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa
Júlio César Silva/MDICO ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira
LUIS NOVA / METRÓPOLES @LuisGustavoNovaJamieson Greer, do USTR
Reprodução/XLeia também
Tarifaço
- O novo tarifaço, de 37,5%, imposto pelos EUA sobre produtos brasileiros entrou em vigor em julho;
- A decisão foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio Americano (USTR), que encerrou investigação aberta contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974;
- Segundo o governo Trump, o Brasil adota práticas comerciais consideradas desleais em áreas como comércio digital, acesso ao mercado de etanol, combate ao desmatamento e políticas relacionadas ao Pix;
- Apesar do endurecimento da medida, o governo Trump deixou fora da sobretaxa mais de 2,1 mil produtos. A intenção é mitigar danos à economia dos EUA e evitar rupturas em cadeias de suprimentos essenciais;
- Entre os produtos, estão alguns dos principais itens da pauta de exportação brasileira, como carne bovina, café, laranja e suco de laranja, petróleo e aeronaves civis.
Retomada
O diálogo entre os dois países foi retomado após a ligação entre Lula e Trump, que durou cerca de 1h20 e incluiu temas como comércio bilateral e cooperação econômica. Na ocasião, houve sinalização de ambos os lados para a reabertura de conversas técnicas, interrompidas após a adoção de novas tarifas pelos Estados Unidos.
A reunião desta segunda-feira ocorre em um contexto de tensão comercial, após os EUA terem implementado tarifas adicionais de 37,5% sobre produtos brasileiros sob justificativas relacionadas a práticas comerciais e políticas setoriais. O governo brasileiro tem contestado as medidas e defendido solução negociada.
A articulação para a reunião foi feita diretamente entre autoridades brasileiras e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, na sequência da ligação entre os presidentes.
O encontro marca a retomada formal do canal técnico entre os dois governos para tratar do tarifaço, com expectativa de que novas rodadas sejam realizadas nas próximas semanas.
A expectativa entre interlocutores é de que a reunião desta segunda-feira seja seguida por novos encontros técnicos ao longo das próximas semanas, com possibilidade de avanço gradual nas negociações. No entanto, uma eventual definição sobre revisão mais ampla das tarifas não é esperada no curto prazo.
Linha do tempo do tarifaço
- Abril de 2025: EUA anuncia tarifa geral de 10% para o Brasil e outros países, com base na Lei de Emergência Econômica (IEEPA).
- 9 de julho de 2025: em carta ao presidente Lula, Donald Trump anuncia tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Justificativas citadas: julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, decisões do STF contra big techs americanas e alegação de parceria comercial injusta.
- 30 de julho de 2025: Trump assina ordem executiva oficializando os 50% a partir de 6 de agosto, mas com 694 produtos isentos – suco de laranja, minério de ferro, celulose, fertilizantes, ouro, prata, produtos da aviação civil e outros.
- 7 de agosto de 2025: entra em vigor a tarifa de 50%. O governo brasileiro informa que 9.777 códigos da NCM seriam afetados.
- 13 de agosto de 2025: governo Lula lança o pacote Brasil Soberano – linha de crédito de R$ 30 bilhões e adiamento de tributos para setores de perecíveis como pescados, manga e mel.
- 20 de novembro de 2025: EUA retira a sobretaxa de 40% para alguns produtos como carne bovina, café e açaí, mantendo a base de 10%.
- Fevereiro de 2026: Suprema Corte dos EUA derruba o tarifaço baseado na IEEPA, as tarifas recíprocas. Período sem taxas para o Brasil.
- Julho de 2026 – nova rodada: USTR conclui investigação da Seção 301 aberta em julho de 2025 e propõe duas novas tarifas:
- 22 de julho de 2026: 25% sob alegação de práticas que “oneram ou restringem” o comércio – citando PIX, etanol, desmatamento, propriedade intelectual e comércio digital.
- 23 de julho de 2026: 12,5% adicional sob alegação de falhas no combate ao trabalho forçado.
- Agosto de 2026 – retomada de diálogo: após telefonema de 1h20 entre Lula e Trump em 21/8, é marcada reunião virtual para 31/8 entre o ministro do MDIC Márcio Elias Rosa e o representante comercial americano Jamieson Greer para tentar ampliar lista de isenções. O ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, também participa.

