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Brasil busca "acordo equilibrado" com EUA após reunião sem avanço

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Brasil busca "acordo equilibrado" com EUA após reunião sem avanço

Representantes dos governos brasileiro e norte-americano se reuniram virtualmente nesta segunda-feira (31/8) para discutir o tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) afirmou que “seguirá perseguindo um acordo equilibrado” e que as negociações entre as duas partes serão mantidas.

“O governo brasileiro reitera que seguirá perseguindo um acordo equilibrado e mutuamente benéfico com os EUA, pautando-se sempre pelo respeito ao diálogo e à soberania nacional”, diz trecho da nota.

Na conversa que durou cerca de 40 minutos, o governo brasileiro afirmou estar aberto ao diálogo e reiterou posicionamento contrário às alíquotas impostas a produtos brasileiros. O recado já havia sido transmitido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em ligação com o presidente Donald Trump há duas semanas.

O posicionamento, agora, foi reiterado ao Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer. A autoridade norte-americana manteve reunião por videoconferência com os ministros brasileiros Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), e o chanceler Mauro Vieira, das Relações Exteriores, na tarde de hoje.

“Os Ministros reiteraram, ademais, que o governo brasileiro não concorda com as medidas unilaterais impostas contra o País, que não são compatíveis com as regras multilaterais de comércio. Uma vez mais, indicaram que as justificativas apresentadas pelo Governo dos Estados Unidos nas conclusões das investigações conduzidas ao amparo da Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana não correspondem às efetivas práticas brasileiras, sendo injusto o tratamento discriminatório adotado contra o Brasil”, diz nota do Itamaraty sobre a reunião.

Além de representantes técnicos, participaram da rodada o próprio ministro Márcio Elias Rosa (do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, do USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA), além do ministro de Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira.

O encontro foi marcado após a conversa telefônica entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que aconteceu em 21 de agosto. Na ocasião, houve sinalização de ambos os lados para a reabertura de conversas técnicas, interrompidas após a adoção de novas tarifas pelos Estados Unidos.


Tarifaço

  • O novo tarifaço, de 37,5%, imposto pelos EUA sobre produtos brasileiros entrou em vigor em julho;
  • A decisão foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio Americano (USTR), que encerrou investigação aberta contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974;
  • Segundo o governo Trump, o Brasil adota práticas comerciais consideradas desleais em áreas como comércio digital, acesso ao mercado de etanol, combate ao desmatamento e políticas relacionadas ao Pix;
  • Apesar do endurecimento da medida, o governo Trump deixou fora da sobretaxa mais de 2,1 mil produtos. A intenção é mitigar danos à economia dos EUA e evitar rupturas em cadeias de suprimentos essenciais;
  • Entre os produtos, estão alguns dos principais itens da pauta de exportação brasileira, como carne bovina, café, laranja e suco de laranja, petróleo e aeronaves civis.

A reunião desta segunda ocorreu em um contexto de tensão comercial, após os EUA terem implementado tarifas adicionais de 37,5% sobre produtos brasileiros sob justificativas relacionadas a práticas comerciais e políticas setoriais. O governo brasileiro tem contestado as medidas e defendido solução negociada.

A articulação para a reunião foi feita diretamente entre autoridades brasileiras e Greer, na sequência da ligação entre os presidentes.

O encontro marca a retomada formal do canal técnico entre os dois governos para tratar do tarifaço, com expectativa de que novas rodadas sejam realizadas nas próximas semanas.

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