A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição, é alvo de uma denúncia sobre um suposto gabinete do ódio, que estaria usando recursos públicos para disparar ataques contra João Campos (PSB), seu principal adversário na disputa eleitoral de 2026.
A informação foi divulgada pela TV Record, na noite dessa terça-feira (25/8). A emissora apresentou o depoimento de um funcionário público indicando uma rede coordenada de páginas e perfis da internet, que estaria usando a administração do Governo de Pernambuco para promover o conteúdo difamatório.
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No vídeo exibido na reportagem, Amisadai Andrade, um servidor federal cedido à administração pública, confessa operar uma rede de páginas e perfis que se dedicam a “desidratar” João Campos.
“O governo Estado enxergou na gente, também a gente fez reunião com o Palácio, enxergou a gente como um canal para a gente tentar desidratar ele (João Campos)”, disse.
O pagamento pelo “serviço” viria de contratos de publicidade firmados pelo governo de Raquel Lyra.
No mesmo dia da veiculação do depoimento de Amisadai, ele foi exonerado do governo pernambucano.
Servidor atuante
Amisadai Andrade é servidor da Caixa Econômica Federal cedido, em abril de 2025, para o governo do estadual, onde atua na Secretaria de Turismo.
De acordo com seu próprio relato, ele coordena uma série de 300 perfis destinados a criticar Campos e a postar conteúdos difamatórios contra o ex-prefeito de Recife.
O homem é um dos donos do site Portal de Prefeitura, supostamente noticioso, mas com linha editorial dedicada a enaltecer somente a gestão de Raquel Lyra e proferir ataques a João Campos.
“A gente aqui em Pernambuco tem nosso veículo (…), a gente tem alguns perfis que a gente sempre bota um conteúdo crítico e a gente sempre conversa com o pessoal das redes para fazer collab”, declarou.
“A gente começou a fazer esse trabalho, ele (João Campos) tinha acabado de ser eleito com 78% no Recife, sabe….hoje ele já tá com 52%, ele já caiu muito já”, disse Amisadai.





Governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD)
MetrópolesGovernadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD)
Vinicius Schmidt/MetrópolesPrefeito de Recife, João Campos (PSB) e a governadora Raquel Lyra (PSD)
Rodolfo Loepert / PCR e PSD/DivulgaçãoPresidente Lula e a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra
Miva Filho/Governo de PernambucoFamília envolvida
Os indícios de gabinete do ódio, no entanto, não são novos. No primeiro semestre do ano passado, uma denúncia da deputada estadual Dani Portela (PT) detalhou o suposto funcionamento da rede e o possível financiamento por intermédio de agências de publicidade contratadas pelo governo Raquel Lyra.
À época, foi montada uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar os fatos, mas o colegiado terminou desmobilizado. Em outubro, uma denúncia foi levada à Polícia Federal para que o caso fosse investigado.
Um documento mostra que um dos citados pela CPI é Waldomiro Teixeira, o Dodi, primo da governadora Raquel Lyra.
Documentos também mostram o caso da agência E3 Comunicação, com sede em São Paulo, que, sem qualquer experiência prévia em Pernambuco, venceu uma licitação de R$ 1,2 bilhão. A empresa terminou se instalando em um imóvel de propriedade de Dodi.
Nesta quarta-feira (26/8), após participar de um ato de campanha, a governadora negou a informação e confirmou que Amisadai foi exonerado.
“É fato que vocês conhecem muito bem as velhas práticas que infelizmente hoje o PSB lidera se apresentando como nova política. Não faço política desse jeito. Para mim, a eleição não é um vale-tudo. Não abro mão dos valores que me trouxeram até aqui de defesa incansável da democracia”, declarou a governadora.
No início do mês, a Frente Popular de Pernambuco, coligação pela qual João Campos disputa o governo, pediu, em medida cautelar, às principais operadoras de redes sociais e serviços de streaming a preservação dos dados de 13 pessoas identificadas como possíveis operadores do suposto gabinete do ódio.
Também estão no radar da Justiça outros 40 perfis cujos donos ainda não foram identificados. A medida busca impedir que os supostos integrantes da rede eliminem perfis e que seus dados sumam do ambiente digital, dificultando futuras investigações.

