William Cesar Pinto Junior, vigilante que morto aos 48 anos após ser baleado por uma equipe da Policia Civil do Distrito Federal (PCDF), enquanto saia para trabalhar nessa quarta-feira (19/8), na quadra 8 do Setor Oeste do Gama (DF), foi enterrado nesta sexta-feira (21/8). Sob forte comoção, familia e amigos gritaram por justiça e cobraram posicionamento de autoridades. William deixa esposa e dois filhos.
O funeral reuniu cerca de 100 pessoas, entre amigos, familiares e admiradores de William, todos usavam peças brancas em homenagem ao falecido. Os presentes exibiram cartazes pedindo justiça e clamando para que o que houve com o vigilante não siga impune. Dizeres como “Polícia mata Civil” e “ 7 policiais x 1 inocente”, foram alguns presentes na pequena manifestação.






No sepultamento, os presentes soltaram balões brancos
Isabella Wagner/MetrópolesOs presentes na homenagem vestiam blusas brancas
Isabella Wagner/Metrópoles"Atira primeiro, pergunta depois" e "William admirava a polícia e morreu nas mãos dela", comunicaram as manifestações
Isabella Wagner/MetrópolesFamiliares fizeram cartazes e grudaram as manifestações nas portas da capela
Isabella Wagner/MetrópolesCom bastante emoção, familiares e amigos cantaram musicas cristãs enquanto se despediam do vigilante e rezaram um pai nosso. Outros vigilantes da empresa Ágil, onde William trabalhava, também estavam presentes para prestar as condolências.
Ao longo do caminho até a sepultura, o silêncio. A filha de William, de apenas 11 anos, permaneceu diante do caixão o tempo inteiro.
Durante as últimas homenagens, um dos vigilantes que trabalhou com William por muitos anos, lembrou com carinho do amigo e compartilhou palavras de conforto aos convidados.
“Nós somos amigos de trabalho, trabalhamos juntos há bastante tempo, o que William representa para nos vai além”, diz.
Ele ainda recorda de uma frase que o amigo lhe disse assim que perdeu o pai, em 2020 e disse que gostaria de transmitir essa mensagem aos entes queridos de William.
“Eu estava em um momento de dor, de luto; e ele me disse uma frase que hoje ecoa: Ele disse que meu pai faleceu mas que estaria presente pra sempre no meu coração, e hoje ele está presente em nossos corações. Não há como substitui-lo”, reflete o amigo de William.
Trajetória como segurança e admiração pela Polícia
A sobrinha de William, que preferiu não se identificar, relatou ao Metrópoles que o tio admirava o trabalho da polícia.
“Ele era um homem que admirava a polícia e morreu nas mãos dela”. Ela ainda conta que William era um exemplo de homem trabalhador.





William era colaborador terceirizado e trabalhava como vigilante na residência oficial da presidência do Senado Federal
Material cedido ao MetrópolesWilliam tinha saído de casa para trabalhar quando foi seguido por um carro descaracterizado da PCDF, segundo uma parente
Material cedido ao MetrópolesA corporação lamentou a morte. "O caso foi encaminhado à Corregedoria-Geral da Polícia Civil do Distrito Federal"
Material cedido ao MetrópolesSegundo a corporação, os policiais civis estavam na região para cumprir um mandado de prisão quando balearam William
Material cedido ao MetrópolesSegundo apurado pelo Metrópoles, a vítima era um colaborador terceirizado e trabalhava como vigilante na Residencia Oficial da Presidencia do Senado Federal. Ele prestou servicos ao Senado por mais de 30 anos.
Ainda de acordo com a sobrinha os agentes responsáveis pela morte de William o socorreram e levaram ate o Hospital Regional do Gama (HRG): “Os próprios policiais vendo a tragédia que fizeram, levaram ele ao hospital mas ele não resistiu”.
Ela ainda diz que os agentes chegaram a ir na casa da companheira de William, para ver se havia câmeras de segurança.
“Tiveram a audácia de questionar sua mulher se as câmeras estavam gravando. Sabiam o que tinham feito. Nós queremos justiça. Até agora os agentes não foram afastados. Retiraram o carro do local e falaram pra gente que não era fraude processual. Falaram que sentiam muito, mas que era preciso pensar que os policiais também são pessoas. Precisamos de ajuda para que essa violência seja reconhecida e a justiça seja feita. Os assassinos não podem ficar impunes”, finaliza.
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Segundo a PCDF, os policiais civis estavam na região para cumprir um mandado de prisão quando balearam William. A corporação não confirmou se o vigilante era alvo da ordem policial e não deu detalhes da dinâmica que levou ao disparo.
“Imediatamente após os fatos, os policiais envolvidos apresentaram-se à delegacia da área para o registro da ocorrência e adoção das providências legais”, afirma a corporação.
A corporação lamentou a morte. “O caso foi encaminhado à Corregedoria-Geral da Polícia Civil do Distrito Federal”, declarou, em nota.
Entenda o caso
- William Cesar Pinto Junior, 48 anos, morreu na quarta-feira (19/8), após ser baleado durante uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF);
- A vítima era colaborador terceirizado e trabalhava como vigilante na residência oficial da presidência do Senado Federal;
- A ação ocorreu por volta de 5h50, na Quadra 8 do Setor Oeste do Gama (DF);
- PCDF não confirmou se o vigilante era alvo da operação e não detalhou o que levou ao disparo;
- A corporação lamentou a morte e comunicou que o caso foi encaminhado à Corregedoria-Geral.

