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Ana Elisa, influencer do PT que desafia direita, lidera doações em MG

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Ana Elisa, influencer do PT que desafia direita, lidera doações em MG

Belo Horizonte – A influencer e candidata a deputada federal por Minas Gerais Ana Elisa (PT) lidera a lista de candidatos mineiros que mais arrecadaram recursos via financiamento coletivo autorizado pela Justiça Eleitoral até a noite desta quinta-feira (20/8). A jovem de 21 anos angariou, até o momento mais de R$ 97 mil em sua vaquinha, destinado por quase 3.100 apoiadores, mostra registro no site Quero Apoiar.

O valor a coloca à frente de figuras conhecidas da política mineira, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), que já recebeu mais de R$ 66 mil até o momento, e do candidato Alexandre de Godoi (Novo), que recebeu R$ 33 mil.

Conhecida nas redes sociais como o Instagram, onde possui 1,8 milhões de seguidores, Ana Elisa já é envolvida de alguma forma com a política e com lutas sindicais há quase 15 anos, desde que sua mãe, uma professora sindicalizada, levava os filhos pequenos para os eventos por não ter com quem deixá-los.

“A gente começou nos movimentos sindicais dos professores, o SindUte, pessoas de grande renome nos levaram para esse movimento sindicalista. A gente tinha cerca de 7, 8 anos e começamos a ir nesses movimentos e foi ali que me despertei pra política. Desde muito cedo a gente começou a ser incentivado a participar dessas coisas (movimentos sindicais) pela minha mãe, que é uma mulher preta, mãe solo, então não tinha com quem deixar a gente”, explicou a candidata ao Metrópoles.

Crescida em Divinópolis, região Centro-Oeste do estado, a candidata, que é estudante de Direito, afirmou que a temática eleitoral sempre lhe interessou, mas que muita gente não tem muito conhecimento sobre o tema e resolveu se lançar na internet para esclarecer algumas coisas relacionadas a questão.

“Comecei explicando o que significava (direito eleitoral), o que estava acontecendo nas eleições, o que estava acontecendo com o (Jair) Bolsonaro, naquele momento em que ele se tornou réu. Inclusive, o vídeo que viralizei foi explicando porque ele se tornou réu”, disse.

Com as explicações e instruções, a jovem começou a construir um público que a tinha como referência para debater e ensinar política com um viés de esquerda.

“Construí uma comunidade em cima de pautas políticas e todo mundo que me segue, segue porque gosta de aprender sobre política. (…) Quando começa a fazer política construindo uma comunidade, você constrói pessoas que acreditam em você. Pessoas que me seguem, não por que sou uma influenciadora digital de política, me seguem porque comecei a construção de uma comunidade, construção de conhecimento, educação”, explicou.

Segredo da vaquinha gorda

Essa relação com os seguidores e apoiadores, aponta Ana Elisa, está sendo fundamental para que ela esteja liderando as “vaquinhas” eleitorais e que o pedido de dinheiro é para o projeto de “eleger pessoas parecidas com nós”.

“Não é o meu ser individual pedindo dinheiro, é uma comunidade pedindo dinheiro para um projeto. O projeto é eleger pessoas parecidas com nós. As pessoas se sentem parte daquela comunidade e doam de forma voluntária, de forma que a gente não precisa insistir, elas sentem pertencentes ao grupo. Essa vaquinha é estrondosa por um resultado, uma sequência de trabalho muito bem feito de construção de comunidade, construção de povo, construção de grupo”, ressalta.

Ela também identificou que na disputa eleitoral de 2022, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu mais de 60 mil votos no segundo turno no seu município; e que, todos os candidatos do PT a deputado federal, somados, nem chegaram a 10 mil votos.

Essa diferença de 50 mil votos foi identificada por ela como uma parcela do eleitorado que poderia ser disputada e que pode se identificar com suas pautas, como fim direitos para quem trabalha com aplicativos; crédito acessível para quem está querendo empreender; asfixia financeira do crime e apoio a investigação; entre outros.

“O principal foco da campanha é a democratização política. Não é só a educação por si só. A educação é saúde, a educação é lazer, a educação é moradia, é cultura, é acesso e nós estamos trazendo para dentro dessa campanha todas as vertentes. Se é um direito constitucional precisa ser preservado e alguém precisa lutar para que as pessoas tenham isso”, concluiu.

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