O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta terça-feira (18/8), que procurou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para convencê-lo a permitir que a gestão estadual conduzisse a concessão do Túnel Santos-Guarujá. Para poder tocar o negócio, Tarcísio disse que não se importaria nem se a condição fosse colocar três estrelas vermelhas — uma referência ao símbolo do PT, partido do presidente — na entrada do túnel.
“As pessoas dizem: ‘Poxa, você foi ao evento com o presidente da República no Porto de Santos para liberar o túnel’. Fui mesmo”, declarou. “Se quiser carimbar de vermelho, botar três estrelas vermelhas na entrada do túnel, isso aí não vai fazer diferença nenhuma pra nós. A gente tem que tocar esse negócio. E ele chegou [e disse]: ‘Você tem razão, vamos fazer’. Já que vamos fazer, chama os anjos que o senhor tem aí”, acrescentou Tarcísio, durante a 27ª Conferência Anual Santander, na zona sul da capital paulista, diante de uma plateia com investidores e lideranças do mercado financeiro.
Segundo Tarcísio, ele argumentou ao presidente que o governo de São Paulo deveria realizar a parceria público-privada (PPP). “Presidente, temos que fazer o leilão do túnel e nós temos que ser o poder concedente. Com uma parceria público-privada a gente tem que aportar garantia. A União sempre tem dificuldade de aportar garantia. E São Paulo tem uma empresa garantidor e essa empresa não está capitalizada”, relatou.
Entre os motivos, na conversa com Lula, o governador também teria mencionado a autorização já concedida pela Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) para um aporte público superior a 70% do investimento total. “O senhor não tem, vai precisar de uma autorização do Congresso”, contou Tarcísio sobre a interação.
Tarcísio também destacou ao chefe do Palácio do Planalto que a submissão do projeto à análise prévia do Tribunal de Contas da União (TCU) poderia atrasar a realização por até cinco anos. Segundo ele, a fiscalização do Tribunal de Contas do Estado (TCE) ocorre depois do início das obras.
“O túnel está contratado, a obra vai começar, vai virar realidade. O dinheiro tá aportado, e essa é a visão pragmática que a gente tem que ter”, disse Tarcísio.
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Na ocasião, Tarcísio atribuiu aos governadores do Sul e do Sudeste a criação do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). De acordo com ele, os dirigentes estaduais apresentaram a proposta ao Senado e convenceram o Ministério da Fazenda, à época comandado por Fernando Haddad (PT), sobre a necessidade de renegociar as dívidas estaduais com a União.
Além disso, o governador defendeu um ajuste fiscal moderado. “Ninguém tá pedindo o ajuste fiscal do Milei, de 15% do PIB. A gente não precisa disso. Um ajuste muito mais suave joga a trajetória da nossa dívida para baixo e resolve o nosso problema”, afirmou.

