Lideranças do Progressistas (PP) de São Paulo têm orientado o candidato ao Senado, Guilherme Derrite (PP), a investir na pauta do municipalismo e focar em agendas pelo interior paulista durante a campanha eleitoral. O entendimento é que Derrite ainda é um candidato de “nicho”, mais conhecido nos meios policiais, nas redes sociais e na região metropolitana de São Paulo.
Dentro da campanha, existe uma preocupação de que o interior paulista entregue votos para a dobrada André do Prado (PL) e Simone Tebet (PSB), o que pode colocar a o sucesso da candidatura do ex-secretário de Segurança Pública em risco.
Lideranças de diversos partidos da chapa liderada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) entendem que, diferentemente de Derrite, André do Prado é “bom de política”, com forte articulação com deputados, prefeitos e políticos locais, o que o ajudará a se tornar mais conhecido quando a campanha de fato começar.
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Além disso, pesa a favor do presidente da Assembleia Legislativa (Alesp) o fato de André fazer a campanha colado na imagem de Tarcísio. Um dos seus slogans é “O braço direito de Tarcísio”. Tradicionalmente, o governador de São Paulo consegue eleger ao menos um candidato ao Senado, de acordo com marqueteiros com experiência em campanhas no estado.
Já a campanha de Simone Tebet aposta que que seu perfil mais moderado e o histórico ligado ao agronegócio têm potencial de atrair o segundo voto do eleitorado de André do Prado. Diante disso, Tebet deve calcular ao longo da corrida a forma como deve usar a imagem de Lula, com o cuidado de não afastar esse potencial público, refratário ao PT.
Nos últimos 15 dias, Derrite passou a intensificar agendas no interior paulista, ao lado de André do Prado. Nas últimas semanas, o ex-secretário esteve em eventos em Botucatu, São Carlos, São Sebastião e Itapetininga, organizados pelo PP. Para as próximas semanas, a legenda está organizando encontros em Itapeva e Marília. Os eventos devem contar com a presença de Tarcísio.
A orientação do partido é que o ex-policial passe a fazer propostas e discursos voltados aos interesses dos prefeitos, como a destinação de emendas para os municípios e a defesa de pautas de interesses locais no Senado. A ideia é que unir a pauta municipalista com a agenda “linha dura” na segurança pode resultar em dividendos eleitorais no interior.
Outra ideia é que Derrite passe a procurar prefeitos com boa aprovação para torná-los coordenadores regionais de sua campanha, gesto que costuma agradar os dirigentes locais, uma vez que esse tipo de atribuição gera a impressão de relevância política e partidária, projetando os prefeitos para futuras empreitadas eleitorais.

