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Sem carro: influencer ensina a chegar de ônibus a cachoeiras de MG

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Sem carro: influencer ensina a chegar de ônibus a cachoeiras de MG

Belo Horizonte – Minas Gerais pode até não ter praia, mas compensa com centenas de roteiros na natureza e cachoeiras espalhadas pelo estado. E quem nunca teve vontade de aproveitar o fim de semana pegando uma trilha e terminando o passeio com um mergulho perto de Belo Horizonte ou, até mesmo, dentro da capital? Para muita gente, porém, o plano esbarra em uma dificuldade: não ter carro ou dinheiro para bancar o deslocamento, e não saber como chegar a esses lugares usando o transporte público.

Foi pensando nisso que a belo-horizontina Joelma Marques, de 35 anos, passou a compartilhar dicas de como conhecer cachoeiras e outros destinos sem depender de veículo próprio, tornando esse tipo de lazer mais acessível e mostrando que dá para se aventurar por Minas gastando pouco.

“Democratizar acessos”

“Eu quis mostrar que uma mulher sem veículo próprio poderia, sim, chegar aos lugares que quem tinha esse privilégio chegava e, assim, democratizar os acessos. A minha ideia é: ‘se eu posso, todo mundo também pode’“, contou.

Cachoeira do Bicão, no Barreiro (BH); Poço Azul, em Raposos; Cachoeira Marumbé, em Macacos; Poço Azulão, em Honório Bicalho, (Nova Lima); Cachoeira Pitangueiras, no Barreiro (BH); e Cachoeira Ana’conda, em Sarzedo, foram alguns dos destinos que, segundo ela, a surpreenderam entre os de fácil acesso. 

Joelma também gravou um vídeo em que ensina como chegar ao Instituto Inhotim, em Brumadinho, gastando menos. Atualmente, o transfer indicado pelo próprio museu, com saída da Savassi, custa R$ 140 por pessoa para ida e volta.

No conteúdo, ela apresenta uma alternativa usando o transporte público e detalha o trajeto para quem quer conhecer economizando no deslocamento (leia mais abaixo).

Como começou

Moradora da Região Nordeste de BH, Joelma resolveu, há menos de um ano e meio, começar a compartilhar seus vídeos nas redes sociais.

“Eu trabalhei a maior parte da minha vida com eventos em geral: promotora, produção, shows, eventos empresariais, congressos, feiras, enfim. E quem trabalha nesse setor tem uma rotina um tanto quanto puxada. É exaustiva. Trabalhava muito nas madrugadas e emendava vários eventos consecutivos. À medida que o tempo foi passando, eu saturei na área. Então, busquei uma mudança em cima daquilo que eu já fazia no meu dia a dia quando tinha folga”, contou.

Naquela época, porém, ela mantinha um perfil pessoal no Instagram com menos de 2 mil seguidores e uma audiência formada principalmente por familiares, amigos e conhecidos. As postagens eram feitas de tempos em tempos, sem frequência definida.

“E, quando eu resolvi virar a chave e pensar em algo que eu gostasse e pudesse desenvolver do meu jeito, logo me veio a ideia das redes sociais, já que sou muito comunicativa e me considero criativa. E aí eu fiz essa transição sem saber muito bem como seria, sem ter ninguém próximo que trabalhasse nas redes. Não sabia editar, não sabia roteirizar, não sabia como iria fazer as imagens, mas segui totalmente a minha intuição e simplesmente comecei a fazer“, contou.

Hoje, Joelma acumula 150 mil seguidores, e vídeos com mais de 150 mil visualizações só no Instagram.

Trabalho de pesquisa

Ela explica que, por trás dos vídeos, existe um extenso trabalho de pesquisa. Antes de visitar um destino, busca informações sobre localização, acesso por transporte público, trajeto, linhas e horários de ônibus, valores das passagens e até o caminho que deve ser percorrido depois do desembarque.

“As pessoas nem imaginam, mas é uma pesquisa muito grande acerca do conteúdo que vou produzir e publicar. Pesquiso localização, acesso ao transporte público, o trajeto em si, como pegar o ônibus, horários, valores, onde seguir depois da descida e o que aquela região oferece. Todas as informações que consigo coletar anteriormente facilitam todo esse processo”, explicou.

Às vezes, os destinos são encontrados por acaso, enquanto ela explora o mapa pelo celular. Em outras ocasiões, surgem a partir de indicações ou de informações encontradas em reportagens e outras fontes. “Às vezes, eu acho os locais abrindo o mapa no celular mesmo e procurando minuciosamente. Às vezes, é por indicação ou alguma fonte pesquisada ou reportagem que citou o local”, disse.

A surpresa dos destinos

Foi dessa forma que ela encontrou a Cachoeira da Paixão, em Raposos. Segundo Joelma, havia pouquíssimos relatos ou informações sobre o local disponíveis.

“Eu não tinha basicamente nada de relatos e histórico do local. Achei no mapa. Acabou sendo um percurso muito longo, com trajeto muito ruim, acidentado e com muito morro. No final, deu certo, mas foi um dos trajetos mais desafiadores”, relatou.

Joelma conta que também procura ser realista ao informar o nível de dificuldade dos percursos. Um exemplo é a Cachoeira da Ostra, em Casa Branca, distrito de Brumadinho. O conteúdo sobre o local já foi gravado e deve ser publicado na próxima semana. A abordagem, porém, será diferente.

“Tem muitos vídeos, muitos relatos e imagens de pessoas fazendo o trajeto, mas não falam sobre como ele realmente é. Eu fui uma vez até a cachoeira e vi que não é fácil como mostram. Não é para todos. Desisti de fazer o post daquela forma, mas irei mostrar com detalhes, como um alerta para as pessoas, dizendo que não é para todo mundo e alertando quem quiser fazer essa trilha, pois é nível difícil”, contou.

Apesar de aparecer muitas vezes sozinha nos vídeos, ela ressalta que não recomenda que outras pessoas façam trilhas para cachoeiras desacompanhadas. Os alertas, segundo Joelma, aparecem tanto nas gravações quanto nas legendas das publicações.

“Todo roteiro de cachoeiras eu nunca recomendo fazer sozinho. Sempre deixo na legenda o alerta, além de falar nos vídeos o quanto pode ser perigoso, independentemente do gênero”, afirmou.

Inspiração para outras mulheres

Ao mesmo tempo, Joelma comemora o fato de seu conteúdo incentivar outras mulheres a ocuparem espaços de lazer e a se sentirem mais independentes.

“Eu ouço muito isso nas ruas e nas redes sociais como forma de retorno e fico muito feliz com os relatos e com as pessoas dizendo que eu as encorajo de certa forma. Então, serve muito de espelho: a figura feminina, muitas vezes associada à fragilidade, está fazendo esse trabalho e mostrando que todos podem”, contou.

Confira cinco dicas e como chegar

Cachoeira do Bicão (Belo Horizonte)

Segundo Joelma, para quem quer conhecer uma cachoeira sem sair de Belo Horizonte, o destino mais indicado é a Cachoeira do Bicão, no Barreiro, dentro do Parque Estadual da Serra do Rola-Moça. De transporte público, o trajeto pode ser feito a partir do Centro de BH com as linhas 30 e 328 (Cardoso). Após descer na Rua Robertson Pinto Coelho, o visitante ainda precisa encarar uma caminhada de aproximadamente 40 minutos até a queda-d’água.

Parte do percurso passa próxima à linha férrea, trecho que exige atenção redobrada por causa da circulação de trens.

Assista:

Cachoeira das Pitangueiras (Belo Horizonte)

Também no Barreiro, a Cachoeira das Pitangueiras, na Serra do Rola-Moça, pode ser acessada de transporte público. Saindo do Centro de BH, o trajeto pode ser feito pela linha 30 até a Estação Barreiro e, de lá, pela linha 342 (Solar), com desembarque na Rua Luiz Pongelupe.

Depois, é preciso caminhar até a entrada do parque. A partir da portaria, a trilha até a cachoeira tem cerca de 3 km e pode ser percorrida a pé ou de bicicleta.

Cachoeira da Paixão (Raposos)

A Cachoeira da Paixão, em Raposos, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, também pode ser acessada de transporte público. Saindo do Centro de BH, a opção é a linha 3842 (Raposos), com desembarque no terminal rodoviário da cidade.

De lá, são cerca de 1,9 km até o Condomínio Mirante da Serra 1, onde começa a trilha (trecho que também pode ser feito de mototáxi). A partir desse ponto, o percurso é mais difícil, com subidas e trilha pesada. No total, são aproximadamente 8,7 km entre o ponto de ônibus e a cachoeira. Como parte do caminho não é bem sinalizada, a recomendação é fazer o trajeto acompanhado de alguém que já conheça a região.

Poço Azulão (Honório Bicalho)

Outra opção é o Poço Azulão, em Honório Bicalho, distrito de Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Saindo do Centro de BH, é possível pegar a linha 3840 (Honório Bicalho) e descer na Rua Liberato Augusto.

A partir do ponto de ônibus, são cerca de 30 minutos de caminhada até o poço. Contudo, Joelma alerta: o percurso é considerado tranquilo, mas o trecho final tem uma descida bastante íngreme e exige cuidado. Antes de sair, é importante conferir os horários da linha, já que a oferta de ônibus pode variar ao longo do dia.

Inhotim (Brumadinho)

Até mesmo o Instituto Inhotim, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, pode ser visitado usando transporte público. Saindo do Centro de BH, uma das opções é a linha 3787 (Conceição de Itaguá), com embarque na Avenida Amazonas.

Segundo Joelma, o visitante deve desembarcar no ponto mais próximo do museu e, de lá, caminhar cerca de 17 minutos até a entrada. Na volta, a caminhada até o ponto de ônibus leva aproximadamente 23 minutos, e a mesma linha faz o trajeto de retorno.

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