Em 2020, dois primos moradores de Arcoverde, uma cidade no interior de Pernambuco, descobriram por meio de uma notícia na internet que o céu da região estava entre os melhores do país para realizar observações astronômicas. Ambos sempre foram entusiastas da astronomia. Cheios de curiosidade e com vontade de levar ciência à população, o geógrafo Marlon Tenório, de 41 anos, e o nutricionista Johnson Carvalho, de 37 anos, fundaram a Associação Astronômica de Arcoverde naquele mesmo ano.
Com o passar do tempo, a organização sem fins lucrativos (ONG) cresceu e hoje percorre cada canto do Nordeste levando telescópios para que todos tenham a oportunidade de observar o céu.
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“Nosso primeiro equipamento veio através do Johnson. A partir daí, nos reuníamos na casa dele para observar os céus. Após alguns meses, adquiri o meu e, daí em diante, não paramos mais. Hoje contamos com três telescópios próprios da Associação via Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e mais quatro particulares”, conta Tenório, que, além de fundador, é também diretor da instituição.
Foi a partir dos equipamentos da ONG que, recentemente, os cientistas registraram rastros no céu das chuvas de meteoros Delta Aquáridas do Sul e Alfa Capricornídeas, ocorridas no fim de julho.
Veja as imagens




Rastros no céu vieram de chuva de meteoros dupla
Divulgação/Associação Astronômica de ArcoverdeLuminosidade da Lua atrapalhou a visão de meteoros mais fracos no céu
Divulgação/Associação Astronômica de ArcoverdeMelhor momento para visualização foi durante a madrugada
Divulgação/Associação Astronômica de ArcoverdeMais de 5 mil pessoas já observaram o céu no interior do Nordeste
A partir de parcerias com prefeituras e outras ONGs, a associação já passou por várias cidades nordestinas. Segundo os idealizadores, sete estados brasileiros já contaram com ações astronômicas: Pernambuco, Bahia, Alagoas, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. Os itinerários vão desde capitais até cidades pequenas.
Nas atividades, os moradores das regiões visitadas podem observar o céu por meio dos instrumentos ópticos. De acordo com estimativas dos idealizadores do projeto, mais de 5 mil pessoas já puderam ver os detalhes no céu através dos telescópios da Associação Astronômica de Arcoverde.
“As cidades pequenas costumam ser as mais entusiasmadas com esse tipo de iniciativa, porque muitas vezes os alunos não têm a oportunidade de visitar grandes centros ou planetários. Então, nós levamos essa experiência até eles”, conta Tenório.




As atividades promovidas pela associação são feitas com telescópios
Associação Astronômica de Arcoverde/Material cedido ao MetrópolesMais de 5 mil pessoas já observaram o céu por meio dos telescópios
Associação Astronômica de Arcoverde/Material cedido ao MetrópolesAtividades da associação já passaram por oitos estados nordestinos
Associação Astronômica de Arcoverde/Material cedido ao MetrópolesPara o geógrafo, a experiência e os conhecimentos científicos fornecidos pela associação ajudam a tornar a ciência mais democrática e acessível a lugares com menos oportunidades de conhecimento astronômico. “É muito importante a ‘interiorização’ da ciência. Tenho a plena certeza de que dali surgirão novos pesquisadores”, conclui o diretor.
Além de ter a expectativa de que as ações promovidas despertem o amor e a curiosidade de pessoas de todas as idades pela observação do céu, a associação busca meios de inserir a ciência astronômica na grade curricular do ensino nordestino.
Como é financiada por recursos próprios, a equipe da ONG também busca formas de ter uma sede e mais estrutura a fim de percorrer ainda mais lugares pelo Brasil.

