A Procuradoria Regional Eleitoral propôs uma ação de impugnação do pedido de registro de candidatura à reeleição da deputada estadual por São Paulo Fabiana de Lima Barroso, conhecida por Fabiana Bolsonaro.
O órgão argumenta que o uso do sobrenome no nome de urna pode sugerir algum grau de parentesco com Jair Bolsonaro (PL). A parlamentar não é familiar do ex-presidente.
“Trata-se, portanto, de nome de urna capaz de estabelecer dúvida quanto à identidade da candidata, o que é expressamente vedado. Ademais, o uso de ‘Bolsonaro’ no nome de urna por candidato que não pertence à família do ex-Presidente da República nem possui o referido sobrenome em seu registro civil pode gerar migração de votos e causar desequilíbrio no pleito”, afirmou o procurador Paulo Taubemblatt.
A ação de impugnação ainda cita casos precedentes nos quais a Justiça Eleitoral barrou o registro de candidaturas cujos nomes de urna escolhidos tivessem “potencial de gerar dúvida quanto à identidade do candidato”, também pelo uso do nome Bolsonaro.
Segundo o documento, Fabiana já havia tentado sair com o nome de Fabiana Bolsonaro em 2022, quando foi eleita para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Após ser impedida pela Justiça Eleitoral, ela concorreu com o nome de urna “Fabiana B.”.
O PL tem sete dias para contestar a impugnação apresentada nos autos. A coluna entrou em contato com a assessoria da deputada. O espaço segue aberto para manifestação.
Blackface
Na ocasião, a parlamentar praticou blackface — quando alguém pinta o corpo ou o rosto para representar pessoas negras — para criticar a deputada federal Erika Hilton (PSol).
À época, em nota, a defesa da deputada afirmou que a acusação era uma “mentira deliberada para tentar calar um debate legítimo”.
“Não sou negra, e por isso não tenho lugar de fala em favor dos negros, mas aproveitei para deixar claro o meu respeito e afirmar que não sofro com esse odiável preconceito, porque não sou negra. Em nenhum momento debochei, fiz piada ou desrespeitei a luta histórica do povo negro. Pelo contrário: reconheci e respeitei essas dores reais”, afirmou.

