Belo Horizonte — A fábrica da Suggar atingida por um incêndio de grandes proporções, na madrugada desta sexta-feira (7/8), em Belo Horizonte, estava irregular junto ao Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG). Segundo a corporação, o galpão não tinha o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), documento que atesta as condições de segurança contra incêndio e pânico.
A informação foi confirmada pelo tenente Henrique Barcelos após consulta ao endereço informado pelos responsáveis pelo empreendimento. “Não foi identificado o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros nessa edificação. Isso significa que o galpão está irregular para o seu funcionamento nessa natureza de risco”, afirmou.
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Segundo Barcelos, havia um projeto de prevenção e combate a incêndio aprovado, o que indica que o processo de regularização estava em andamento. Caberia, porém, à empresa executar as medidas previstas e comunicar a corporação para que uma vistoria fosse realizada e, posteriormente, o AVCB pudesse ser emitido.
O militar afirmou ainda que a situação se arrastava desde pelo menos 2022. Naquele ano, após uma solicitação de vistoria, os bombeiros compareceram ao imóvel e constataram que o projeto de segurança não havia sido executado, motivo pelo qual a empresa foi notificada.
Uma nova tentativa de regularização teria ocorrido em 2025. Conforme o tenente, no entanto, a corporação não foi comunicada posteriormente para verificar a execução das medidas e liberar o AVCB.
Apesar da irregularidade, o militar explicou que a ausência do AVCB, por si só, não determina necessariamente a interrupção das atividades. Segundo ele, o funcionamento é impedido quando é constatado risco iminente de incêndio, situação que, de acordo com a corporação, não havia sido identificada anteriormente no imóvel.
Durante o combate ao incêndio desta sexta, os militares também relataram que não conseguiram utilizar o hidrante disponível no imóvel. “Nós tivemos a informação das nossas guarnições de não conseguirem utilizar o hidrante que estava aqui no local disponível”, disse Barcelos.
O que diz a Suggar
Em nota, a Suggar afirmou que o processo para obtenção do AVCB “seguia seu curso regular” e destacou que, conforme a legislação estadual, a tramitação do documento não impede o funcionamento da unidade.
A empresa também contestou, indiretamente, a informação sobre os equipamentos de combate ao fogo. Segundo a Suggar, os sistemas de proteção instalados na fábrica, incluindo hidrantes, detecção e alarme de incêndio e iluminação de emergência, passaram por vistoria técnica independente em julho de 2026.
De acordo com a fabricante, a inspeção foi conduzida pela empresa de engenharia responsável pela elaboração do projeto de segurança contra incêndio e pânico. A Suggar afirma que os equipamentos foram revisados e submetidos a testes operacionais e que, naquela ocasião, tiveram o funcionamento validado.
“A empresa reitera que mantém conduta diligente em relação à segurança de suas instalações e de seus colaboradores, e que colabora integralmente com as autoridades competentes na apuração das causas do sinistro”, informou.
Incêndio de grandes proporções
O incêndio começou na madrugada desta sexta-feira na fábrica localizada na Rua Professor Otílio Macedo, no bairro Pilar, Região Oeste da capital mineira. O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 0h50.
Quando as equipes chegaram, grande parte do galpão usado como depósito de materiais estava tomada pelas chamas. O fogo provocou o colapso total do telhado e de outras estruturas da edificação. Ninguém ficou ferido.
Ao todo, 11 viaturas e 21 militares foram mobilizados. Durante o combate, os bombeiros utilizaram espuma devido à presença de materiais inflamáveis, como plástico, óleo combustível e óleos armazenados em máquinas.
Um dos galpões foi preservado, impedindo que as chamas se propagassem ainda mais. As causas do incêndio ainda serão apuradas.

