Belo Horizonte – O deputado federal Patrus Ananias (PT) e o empresário Flávio Roscoe (PL) foram escolhidos para sustentar em Minas Gerais os palanques dos presidenciáveis Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na eleição deste ano.
Os candidatos ao governo de Minas dos concorrentes mais bem colocados na disputa nacional foram buscados dentro de seus partidos no final do prazo, após os palanques dos sonhos para ambos não se concretizarem.
Lula almejava uma dobradinha com o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB), enquanto Flávio Bolsonaro esperou até os últimos dias por uma candidatura do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). Nenhuma das duas articulações teve final positivo.
Diante das negativas e da proximidade do fim do prazo para as convenções partidárias, PT e PL recorreram a um dos planos B que cultivaram e agora disputam em uma eleição reaberta pela ausência de Cleitinho.
A construção das escolhas
Ex-ministro de Lula e referência do PT em Minas, Patrus foi escolhido depois de meses de espera por Pacheco e de uma tentativa frustrada de puxar a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) para a cabeça de chapa.
Já Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), entrou na disputa após a desistência de Cleitinho e o aumento da resistência interna do PL a uma aliança com o ex-deputado federal Marcelo Aro (PP).
As soluções garantem palanques aos dois presidenciáveis em Minas, mas ainda não encerram as dificuldades eleitorais.
Patrus não conseguiu atrair aliados de peso como MDB e PDT para sua campanha. Do lado bolsonarista, Roscoe terá que se tornar mais conhecido e unificar uma direita dividida entre “órfãos” de Cleitinho, Marcelo Aro, que mantém a candidatura, e a tentativa de reeleição do governador Mateus Simões (PSD).






Lula
Ricardo StuckertSenado Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG)
Waldemir Barreto/Agência SenadoFlávio Bolsonaro define Alfredo Gaspar como vice em chapa puro-sangue
HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophotoFlávio Bolsonaro e Flávio Roscoe
ReproduçãoPatrus Ananias (PT)
Kayo Magalhães / Câmara dos DeputadosPrecisam ser competitivos
Cleitinho liderava todos os cenários em pesquisas de intenção de voto em Minas. Sem ele, a eleição está reaberta e os candidatos de PL e PT vão lutar pelo eleitorado. Menos conhecidos do que os planos A de seus partidos, eles vão precisar trabalhar bastante para serem competitivos.
Minas é considerada estratégica porque reúne mais de 16 milhões de eleitores e historicamente ocupa posição central nas disputas presidenciais.
O PT deverá fazer acenos ao centro e tentar dar ao palanque de Patrus uma dimensão maior do que a estrutura petista. O PL, por sua vez, precisa apresentar Roscoe, acomodar os grupos que defendiam outros candidatos e enfrentar a disputa pelo eleitorado de direita com Marcelo Aro e Mateus Simões.
Os dois presidenciáveis, portanto, entram na campanha mineira com palanques garantidos, mas menores e mais partidários do que o que tentaram construir.

