O Irã está finalizando um acordo com Omã para a movimentação de embarcações pelo Estreito de Ormuz, mas um acordo entre as duas nações costeiras não significa que a via navegável será reaberta, afirma Teerã.
Teerã diz exigir uma série de garantias dos Estados Unidos para que as embarcações possam transitar livremente pelo estreito.
Em entrevista à agência de notícias estatal IRNA (Islamic Republic News Agency), o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, detalhou as exigências iranianas, afirmando que os EUA devem reverter ações que, segundo o país, violaram compromissos anteriores.
As reivindicações incluem:
- Encerrar o bloqueio naval aos portos iranianos
- Tratar das sanções reimpostas ao Irã após o colapso da trégua — especialmente as que incidem sobre o setor petrolífero — e retomar as negociações sobre os ativos congelados de Teerã
- Abordar a “falha” dos EUA em garantir a estabilidade no Líbano, conforme previsto no acordo provisório firmado com Washington em junho
Ao ser questionado se o Irã está, essencialmente, implementando o Artigo 5 do acordo de junho — pelo qual o país se comprometeu a empregar seus “melhores esforços” para garantir a passagem comercial segura por 60 dias —, Gharibabadi respondeu: “Não”.
“O Artigo 5 estabeleceu apenas princípios orientadores, e não um plano operacional definitivo”, disse ele, acrescentando que “o novo entendimento entre Irã e Omã é apresentado como um modelo totalmente novo, que reflete o atual cenário de segurança, em vez de uma continuidade do arranjo anterior, vigente há 60 anos”.
Isso significa que as rotas de navegação pelo estreito mudarão, com uma parcela significativa do tráfego comercial passando por águas territoriais iranianas e o restante por águas de Omã, declarou ele.
Gharibabadi afirmou que o arranjo reflete uma nova estratégia para exercer “soberania efetiva” sobre o estreito, ressaltando, ao mesmo tempo, que o Irã não pretende fechar a via navegável rotineiramente em tempos de paz.
Por que o Estreito de Ormuz é tão importante para a economia do mundo?
