O dólar registrou alta de 0,31% frente ao real, cotado a R$ 5,08, nesta segunda-feira (3/8). Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em baixa de apenas 0,01%, a queda mínima, aos 177,9 mil pontos. Como a variação não foi intensa, os dois indicadores permaneceram estáveis na sessão.
Nesta segunda-feira, a guerra entre Estados Unidos e Irã retomou o posto de principal vetor global dos mercados de câmbio e ações. No Brasil, as expectativas dos analistas voltaram-se para a divulgação do valor da taxa básica de juros, a Selic, na quarta-feira (5/8), depois da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC) (leia mais sobre o tema abaixo).
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Em relação à guerra, os mercados reagiram de forma positiva à possibilidade de retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã, embora as tentativas de um acordo de longo prazo entre os dois países tenham fracassado sucessivas vezes nos último meses. Além disso, no fim de semana, a Opep+ confirmou um aumento da oferta mundial de petróleo em setembro.
Petróleo
Com isso, e diante da expectativa de um alívio da guerra, os preços do petróleo caíram com força. O barril do tipo Brent, a referência internacional da commodity, recuou 4,73%, a US$ 83,77. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, baixa 5,11%, a US$ 80,34.
Juros no Brasil
No ambiente interno, os agentes econômicos apostam, maciçamente, numa queda de 0,25 ponto percentual da taxa básica de juros. Se confirmado o corte, a Selic passará dos atuais 14,25% para 14,00% ao ano.
A perspectiva de queda dos juros, como resultado de uma menor pressão inflacionária, também foi confirmada nesta segunda-feira pelo Boletim Focus, o levantamento semanal feito pelo BC com economistas do mercado.
IPCA e Selic
A pesquisa registrou a quinta redução seguida na estimativa da inflação neste ano. Trouxe ainda uma projeção de queda para a Selic em 2026.
A previsão para o IPCA deste ano, o índice que mede a inflação oficial do país, recuou de 5,12%, patamar no qual estava na semana passada, para 5,03%. No caso da Selic, a redução foi de 14,00% para 13,75% até o fim do ano.
Guerra do Iene
Os investidores também acompanham neste pregão os desdobramentos da intervenção conjunta entre Estados Unidos e Japão para sustentar o valor do iene nos mercados cambiais globais. A iniciativa, confirmada nesta segunda-feira pelos governos dos dois países, começou na quinta-feira (26/7) e se estendeu ao dia seguinte.
O objetivo da ação foi conter a desvalorização da moeda japonesa, que atingiu o menor valor em 40 anos. Tal queda pode ter impacto global, em especial na economia americana. O Japão é o maior detentor estrangeiro de títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries.
Qualquer venda desses papéis para financiar intervenções no câmbio japonês pode pressionar o mercado de Treasuries, em um momento em que as preocupações com a inflação e a guerra no Irã já estão elevando os rendimentos desses papéis, considerados os mais seguros do mundo.
Bolsas globais
No pregão de hoje, diante do queda de tensão no Oriente Médio, a maior parte dos principais índices da Europa fechou em alta. O índice Stoxx 600, que reúne ações de 600 empresas de 17 países do continente, subiu 0,45%. Em Frankfurt, o DAX avançou 1,45% e, em Paris, o CAC 40, anotou valorização de 1,22%. O FTSE 100, de Londres, foi a exceção: caiu 0,10%, o que ainda o manteve num patamar de estabilidade.
Em Wall Street, as elevações foram fortes e gerais. Às 16h30, elas eram de 1,58%, no S&P 500; de 1,35%, no Dow Jones; e de 2,24%, no Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia.
Análises
Na análise da corretora Ativa, o Ibovespa operou pressionado pela desvalorização do petróleo e do minério de ferro, depois que o mercado reagiu à possibilidade de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã. O movimento pesou sobre as ações ligadas a commodities, especialmente as da Petrobras e da Vale, de maior peso no índice.
Rafael Dadoorian, especialista em renda fixa da Convexa, observa que apesar da atualização “positiva” do Boletim Focus (indicando recuo do IPCA e da Selic em 2026) a expectativa para a inflação segue acima da meta, em 5,03%, indicando que o processo de convergência dos preços ainda exige cautela.
“Mas o mercado reagiu ao Focus com fechamento da curva de juros, com os contratos de DI (juros futuros) caindo até 13 pontos-base nos vencimentos mais longos”, diz. “No mercado de títulos públicos, as LTNs também acompanharam o movimento, registrando fechamento entre 10 e 15 pontos-base nas taxas.”
Para Dadoorian, as atenções agora se voltam para a reunião do Copom, na próxima quarta-feira. “O principal foco dos investidores deve estar no comunicado do Banco Central e nas sinalizações sobre os próximos passos da política monetária”, afirma.
Sobre o dólar, Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, nota que, como o Brasil é um importante exportador de petróleo, a queda no preço da commodity reduziu a perspectiva de entrada da moeda americana no país, “o que naturalmente pressiona o câmbio para cima”.

