Uma expedição marítima realizada encontrou mais de mil ninhos de peixe-gelo (Lindbergichthys nudifrons) nas profundezas do Oceano Antártico. O achado se deu no Mar de Weddell por meio de uma câmera submersível remota. A descoberta, conduzida em 2019 e liderada por diferentes instituições britânicas, teve seus resultados publicados na revista Frontiers in Marine Science no final do ano passado.
Entre os fatos que mais chamaram a atenção dos pesquisadores estavam os cuidados e a disposição dos milhares de ninhos. A descoberta só foi possível graças ao desprendimento do iceberg A-68, em 2017, que liberou acesso a uma extensa região no fundo do mar anteriormente escondida.
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No local, foram identificados seis padrões diferentes de disposição dos ninhos. O mais comum era o agrupamento, no qual os ninhos podiam se tocar e até se sobrepor. A principal hipótese é que essa organização predominante esteja ligada à proteção da espécie.
De acordo com os pesquisadores, a estratégia é a seguinte: os machos patrulham as bordas da colônia para evitar ameaças, enquanto os milhares de ninhos ficam amontoados. O cheiro dos ovos agrupados confunde o olfato dos predadores, dificultando a aproximação deles.
“[Essa estratégia] ofereceria um risco significativamente menor para os ninhos no centro do aglomerado. Esse padrão defensivo, embora inédito para essa espécie, é um fenômeno bem documentado em colônias de peixes que nidificam em recifes tropicais rasos, onde também é atribuído ao aumento da proteção contra predadores”, escrevem os pesquisadores no artigo.
Para os cientistas, o encontro da “cidade de peixes” evidencia a importância da criação de uma zona protegida no Mar de Weddell a fim de preservar a vida marinha nas profundezas. “Essas descobertas fornecem evidências cruciais de habitats de reprodução únicos e estruturados, atendendo a critérios essenciais para a designação de Ecossistemas Marinhos Vulneráveis e reforçando a proposta de criação da Área Marinha Protegida do Mar de Weddell”, defendem os autores.

