O Brasil é um dos países com a maior biodiversidade do mundo — Mata Atlântica, Amazônia, Cerrado, Caatinga, Pantanal e Pampa são recheados de fauna e flora únicas. Para catalogar as espécies, o governo conta com a ajuda da população.
Abastecida por centros de pesquisa, museus, coleções biológicas e iniciativas de ciência cidadã, o Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr) junta dados sobre animais e plantas para subsidiar tanto a formulação de políticas públicas voltadas para a conservação quanto o avanço de pesquisas científicas em diversas áreas.
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Até hoje, 187.955 espécies foram catalogadas entre 43.819.852 registros. Fazem parte da lista unidades observadas, preservadas, amostras de material e até espécimes vivos. As espécies são divididas entre plantas, fauna, micróbios e insetos.
Segundo Cláudia Czarneski, coordenadora-geral de ecossistemas e biodiversidade da Secretaria de Políticas e Programas Estratégicos (Seppe) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da ferramenta, pesquisadores, gestores públicos e sociedade acessam gratuitamente dados consolidados sobre a biodiversidade nacional.
“A plataforma serve como uma infraestrutura estratégica para o conhecimento e a soberania dos dados ambientais do Brasil. Além disso, ela conecta o país às principais redes mundiais do setor, como a Infraestrutura Global de Informação sobre Biodiversidade (GBIF) e o Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Oceânica (OBIS)”, explica.

Espécies mais registradas no SiBBr
- Pitangus sulphuratus – Bem-Te-Vi
- Coragyps atratus – Urubu
- Thraupis sayaca – Sanhaço-Cinzento
- Columbina talpacoti – Rolinha
- Patagioenas picazuro – Asa-Branca
- Coereba flaveola – Cambacica
Como ajudar na catalogação de espécies brasileiras
Viu uma espécie diferente e quer mandar o registro para a base de dados? O caminho é simples: basta registrar imagens, sons e a maior quantidade de informações possível sobre a espécie no iNaturalist, uma rede social para compartilhamento de observações sobre animais, insetos, plantas e micróbios.
Em seguida, compartilhe o registro com o SiBBr — as instituições parceiras irão analisar a entrada para identificar o organismo e colocá-lo na plataforma.
“Após a devida revisão e atenção à qualidade desses dados, como, por exemplo, a identificação do organismo, localidade correta de registro e datas, é possível que as informações ajudem a prever impactos ambientais advindos de projetos de infraestrutura, avaliem impactos de mudanças climáticas, além de prever a distribuição de animais invasores e o declínio de distribuição de espécies”, explica o biólogo Reuber Brandão, professor do departamento de Engenharia Florestal da Universidade de Brasília e membro da Rede Biota Cerrado (CNPq).
A partir do acervo disponível na plataforma, é possível também identificar áreas relevantes para a criação de unidades de conservação, regiões sensíveis aos impactos humanos e planejar a ocupação territorial, o uso e o acesso de recursos naturais.
Cláudia explica que, na prática, essas informações fundamentam decisões estratégicas, como a criação e gestão de áreas protegidas e os impactos na saúde pública, já que a plataforma fornece um subsídio para o licenciamento ambiental, prevenção contra espécies exóticas invasoras e ações de vigilância contra zoonoses. Além disso, o SiBBr serve de base para estudos do IBGE, como a Avaliação dos Dados sobre a Biodiversidade Brasileira.
“Resumidamente, a plataforma transforma registros científicos isolados em dados oficiais que orientam políticas públicas, otimizam o uso de recursos e fortalecem a soberania ambiental do Brasil”, destaca.

