A defesa de Karen de Moura Tanaka Mori, a Japa do PCC, alegou à Justiça de São Paulo que não está em posse do passaporte da investigada, porque o documento teria sido apreendido pela polícia durante um mandado de busca e apreensão na residência da mulher. A entrega do passaporte está entre as novas medidas cautelares previstas na decisão judicial que revogou o uso da tornozeleira eletrônica e do recolhimento domiciliar noturno.
Segundo a decisão da juíza Paula Regina Schempf Cattan, da Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores, o monitoramento eletrônico será retirado de Karen somente após a entrega do passaporte. A previsão era de que a defesa deveria apresentar o documento em até cinco dias.
Diante da informação, a juíza do caso acionou a Polícia Federal e a Polícia Civil para prestarem esclarecimentos sobre a posse do documento, para que seja cumprida a determinação que flexibilizou as medidas cautelares de Karen Mori. Com a modificação, a investigada ficou impedida de deixar o estado sem autorização judicial, obrigada a entregar o passaporte e continuar aparecendo mensalmente ao juízo.
Lavagem de dinheiro e organização criminosa
Karen cumpre prisão domiciliar desde 2024 por suspeita dos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa. Na ocasião da operação que resultou em sua prisão, a Polícia Civil apreendeu mais de R$ 1 milhão em dinheiro em espécie em sua residência, além de um veículo de luxo e mais de US$ 50 mil.
De acordo com as investigações, Karen mantinha relacionamento amoroso com Wagner Ferreira da Silva, conhecido como “Cabelo Duro”, apontado como um dos principais integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Após a morte dele, em 2018, ela abriu empresa e passou a movimentar valores considerados incompatíveis com seu patrimônio anterior. Segundo a apuração, a movimentação financeira ultrapassou R$ 35 milhões.
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Segundo a linha de investigação, a “Japa do PCC” teria utilizado recursos provenientes do tráfico nacional e internacional de drogas para investir em negócios do setor de beleza, empreendimentos imobiliários e empresas de fachada, com o objetivo de ocultar a origem ilícita do dinheiro.
Inicialmente, a Justiça decretou a prisão preventiva de Karen. Posteriormente, a medida foi substituída por prisão domiciliar, com monitoramento eletrônico. Em 2025, foram impostas outras medidas cautelares, entre elas o comparecimento mensal em juízo para informar e justificar suas atividades e o recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga.

