O fenômeno climático El Niño começou oficialmente e deve se tornar o mais intenso em décadas, sendo popularmente chamado de “Super El Niño”. Em entrevista ao Agora CNN, o meteorologista Alexandre Nascimento, da Nottus, explicou como o fenômeno deve afetar o clima no Brasil nos próximos meses, destacando riscos de seca no norte e leste da Amazônia e episódios de chuvas intensas no Sul do país.
Segundo Alexandre Nascimento, o Brasil já sente os efeitos do fenômeno no presente. “Nós estamos nesse momento com temperaturas bem mais altas do que o normal”, afirmou. O meteorologista apontou que, no primeiro dia de agosto, a maior temperatura registrada no país ocorreu na região do Pantanal, em Mato Grosso do Sul, com quase 38 graus em Corumbá. Cuiabá registrou 37 graus, enquanto o interior paulista marcou entre 32 e 33 graus, e Minas Gerais também apresentou temperaturas elevadas — tudo isso em pleno inverno.
Risco de queimadas e temporais
As altas temperaturas fora de época trazem preocupações adicionais. De acordo com Alexandre Nascimento, o calor intenso nesse período do ano está diretamente associado à baixa umidade relativa do ar durante as tardes, com índices abaixo de 30% e até 20%. “Isso termina possibilitando ou facilitando a proliferação de queimadas“, alertou. O meteorologista reforçou que, em anos de El Niño, é fundamental que a população tome cuidado com maus hábitos que possam contribuir para o surgimento de incêndios.
Além das queimadas, a chegada de frentes frias sobre um ar extremamente quente representa outro perigo. Segundo Alexandre Nascimento, a partir de quarta-feira haveria uma frente fria mais bem organizada avançando sobre o país, criando condições propícias para a formação de tempestades com granizo e ventanias.
“À medida que essa frente fria vai se deslocando, a gente tem a expectativa tanto de chuva de moderada a forte intensidade, como também ventania”, explicou, citando as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste como as mais afetadas. No meio da semana, São Paulo poderia superar 30 graus — cerca de 6 a 7 graus acima do normal para a época.
Por que este é chamado de “Super El Niño”
Alexandre explicou que o fenômeno, formado há pouco mais de dois meses, já apresentava uma anomalia de temperatura de 1,4 grau acima do normal no Oceano Pacífico, segundo dados publicados pela Administração Nacional para Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA). A expectativa é de que essa anomalia supere 2,5 graus com facilidade entre o último trimestre do ano corrente e o primeiro trimestre de 2027. “Acima de 2,5 graus, ele já entra na categoria muito forte, ou de Super El Niño”, esclareceu. Em momentos de pico, a anomalia poderia atingir entre 3 e 3,5 graus.
O meteorologista destacou que a combinação do El Niño intenso com um planeta já extremamente aquecido representa uma situação inédita. “Essa combinação dá até para dizer que é uma combinação ímpar, ou seja, nunca antes vista na história mais recente”, afirmou. Como referência, Alexandre Nascimento lembrou que o El Niño de 2023 e 2024, classificado como moderado, já havia causado grandes problemas no Rio Grande do Sul. “Esse ano nós estamos com bastante precaução e de olho nesse aspecto”, concluiu, ressaltando que o fenômeno deve se manter nessas condições pelo menos até o primeiro trimestre de 2027.

