O estado de São Paulo registrou 141 casos de feminicídio, com 142 mulheres mortas (duas vítimas assassinadas em uma única ocorrência), no primeiro semestre de 2026. O número é o maior já registrado na série histórica, iniciada em 2018, quando a tipificação criminal passou a existir. Os dados foram divulgados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) nessa quinta-feira (30/7).
A título de comparação, o estado registrou 128 feminicídios no mesmo período do ano passado — assim como aconteceu este ano, em um dos casos de 2025, duas mulheres foram mortas. Assim, o número de ocorrências foi de 128, mas com 129 vítimas. O aumento este ano foi de 10%.
Apesar do recorde de registros em 2026, a pasta de segurança afirmou que o número de feminicídios caiu em junho, com 17 ocorrências no mês. Em maio, foram 21 casos.
Na capital paulista, foram registrados 24 feminicídios no primeiro semestre deste ano, o que representa uma queda em relação a 2025, quando a cidade registrou 31 casos. Na região metropolitana de São Paulo, o número caiu de 27 para 21 no semestre.
Queda histórica de homicídios
- O recorde de feminicídios acontece em meio a uma queda histórica no número de homicídios dolosos, quando há a intenção de matar, no estado de São Paulo.
- No primeiro semestre de 2026, o estado registrou 1.149 assassinatos, uma redução de 7,3% em relação às 1.240 ocorrências registradas no mesmo período de 2025. O resultado é o menor desde o início da série histórica, em 2001.
- Segundo a SSP, a redução foi registrada em praticamente todas as regiões do estado, destacando as cidades de Bauru, São José do Rio Preto e Piracicaba.
Relembre o caso da PM Gisele
Um caso marcante de feminicídio do primeiro semestre em São Paulo foi o da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, encontrada gravemente ferida na manhã de 18 de fevereiro, dentro do apartamento onde vivia com o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, no Brás, região central de São Paulo.
Ela foi socorrida por equipes do Corpo de Bombeiros e levada pelo helicóptero Águia da PM ao Hospital das Clínicas, onde morreu horas depois, em decorrência de traumatismo cranioencefálico provocado por disparo de arma de fogo, conforme o atestado de óbito.







Gisele foi encontrada morta em fevereiro
Redes Sociais/ReproduçãoGisele Alves Santana e Geraldo Leite Rosa Neto
Redes Sociais/ReproduçãoInicialmente, o caso foi registrado como suicídio, mas depois o coronel foi preso e é investigado por feminicídio
Arquivo pessoalOficial ignorou recomendação e cruzou a porta do imóvel acompanhado por policiais
Polícia Civil/ReproduçãoPublicação no Diário Oficial garante salário integral ao coronel, que somou mais de R$ 28 mil, enquanto a PM Gisele recebia R$ 7 mil
Reprodução/TJMPoliciais reforçam que qualquer manipulação deve ser feita apenas pela perícia
Reprodução/Polícia CivilTenente-coronel teve prisão decretada por morte da esposa, a PM Gisele
Arquivo pessoalInicialmente, o caso foi tratado como suicídio consumado, mas depois foi alterado para morte suspeita, com “dúvida razoável” de tratar-se de suicídio.
Com o avanço das análises periciais e a reconstituição da sequência de acontecimentos dentro do imóvel, a Polícia Civil concluiu que a dinâmica do disparo não corresponde à hipótese de suicídio inicialmente apresentada. Com base nesse conjunto de elementos, a Justiça autorizou a prisão do coronel Geraldo. O caso passou a ser tratado como feminicídio.
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A Polícia Civil solicitou à Justiça, em 17 de março, a prisão preventiva do tenente-coronel. O pedido sucedeu a conclusão, com base em perícia técnica, de que ele seria o principal suspeito pela morte da esposa.
A Justiça Militar do Estado de São Paulo decretou a prisão preventiva do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto em 17 de março. Ele foi preso no dia seguinte em um condomínio residencial de São José dos Campos, no Vale do Paraíba.

