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PCDF desmantela site que vendia dados de milhões de brasileiros

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
PCDF desmantela site que vendia dados de milhões de brasileiros

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou a Operação Dark Spot para desarticular organização criminosa especializada na venda de dados pessoais sigilosos obtidos por meio de acessos irregulares a sistemas governamentais e privados. A investigação aponta que a plataforma criminosa realizou mais de 18 milhões de consultas e chegou a expor informações de autoridades públicas e de milhões de brasileiros.

Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de prisão — três preventivos e um temporário —, além de seis mandados de busca e apreensão em cidades do Rio Grande do Sul, de São Paulo e do Rio de Janeiro. A Justiça também determinou o bloqueio de ativos financeiros e criptoativos dos investigados até o limite de R$ 2 milhões.

Segundo a investigação conduzida pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), o grupo mantinha plataforma profissional que comercializava consultas a informações protegidas por sigilo legal, incluindo dados da Receita Federal, da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), de registros de veículos, de processos judiciais e de sistemas corporativos de órgãos de segurança pública.

Os acessos eram vendidos por meio de créditos pré-pagos, adquiridos via Pix ou criptomoedas, e divulgados por uma rede de revendedores em redes sociais e aplicativos de mensagens.

As apurações revelaram que a estrutura movimentou mais de 18 milhões de requisições entre maio de 2023 e junho de 2024, originadas de mais de 257 mil endereços de IP, com 45.134 cadastros e 7.242 usuários ativos.

Durante as diligências, policiais realizaram consultas de teste e obtiveram dados válidos de altas autoridades do Distrito Federal, o que, segundo a PCDF, demonstrou o risco à privacidade de milhões de cidadãos.

A investigação também apontou que a organização conseguia retomar as atividades poucas horas após operações policiais anteriores. Conforme a PCDF, os criminosos migravam rapidamente a plataforma para novos provedores, utilizavam ferramentas para ocultar o tráfego de dados, substituíam líderes presos e recriavam o sistema com o mesmo funcionamento, dificultando a repressão.

Na análise financeira, os investigadores identificaram movimentação superior a R$ 450 mil, sem origem lícita comprovada, apenas entre dezembro de 2024 e março de 2025.

A polícia estima que o grupo tinha potencial para arrecadar mais de R$ 1 milhão por mês. Os valores eram recebidos em criptomoedas, passavam por contas de terceiros e eram usados na compra de bens registrados em nome de familiares.

Os investigados poderão responder pelos crimes de invasão qualificada de dispositivo informático, receptação qualificada, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Somadas, as penas máximas podem chegar a 46 anos e quatro meses de prisão, conforme a PCDF. As investigações continuam para identificar outros integrantes da organização, fornecedores das credenciais de acesso e a rede de revendedores da plataforma.

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