Militares deram respaldo ao projeto em discussão na Nicarágua que pode aumentar ainda mais o controle de Daniel Ortega e Rosario Murillo no país, ao proibir a presença da oposição em eleições. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (29/7) pela mídia estatal nicaraguense.
O apoio do Exército de Nicarágua aconteceu durante uma sessão na Assembleia Nacional do país, na primeira reunião de consultas sobre uma possível reforma constitucional.
“O mais importante, em resumo, é que nos sentimos orgulhosos do apoio que recebemos de um número tão grande de generais, coronéis, oficiais superiores e subalternos”, disse o presidente do Parlamento de Nicarágua, Gustavo Porras, após a reunião. “Em outras palavras, todo esse grande corpo que comanda nosso Exército nos deu seu apoio, apoiou a reforma constitucional e expressou um conceito de unidade nacional em torno dessa reforma”.
A posição dos militares nicaraguenses já era esperada, tendo em vista o alinhamento com o governo de Daniel Ortega e Rosario Murillo.
Leia também
Fim das eleições?
Toda discussão sobre a reforma na Constituição de Nicarágua surgiu após o presidente do país desde 2007, Daniel Ortega, descartar a realização de novas eleições no país durante discurso no último dia 19 de julho.
O presidente de Nicarágua afirmou que tal medida seria tomada para “assegurar a paz, a segurança e a estabilidade” no país caribenho. O que, na visão de Ortega, só seria possível se opositores fossem impedidos de “tomar o governo”.
Depois da repercussão internacional negativa, a copresidente do país e esposa de Ortega, Rosario Murillo recuou, e disse que o país realizaria eleições. O processo, no entanto, deve acontecer com base na reforma que está em discussão no Parlamento de Nicarágua — controlado pelo partido do presidente do país. A mesma que pode endurecer as regras contra alas da oposição nicaraguense.
A mudança constitucional, explicou Murillo, visa a realização de um pleito “livre, digno e soberano”, sem interferências exteriores, como dos Estados Unidos.
Mesmo que as discussões sobre a reforma eleitoral já estejam em discussões, os detalhes das possíveis mudanças ainda não são claros. O temos da comunidade internacional é de que o processo democrático local, já enfraquecido, seja deteriorado ainda mais com o projeto de Ortega.

