O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), reagiu às declarações do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), pré-candidato à Presidência da República, que afirmou que o povo baiano se sentiria “alforriado” caso ele e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) vençam as eleições de 2026.
Em vídeo divulgado na terça-feira (28/7), Jerônimo afirmou ter recebido a declaração “com indignação” e classificou a fala como uma das mais ofensivas já dirigidas ao povo baiano.
“Eu não vou responder apenas como governador, mas como baiano, descendente de negros e indígenas, de pessoas que foram verdadeiramente escravizadas, exploradas, espoliadas dos seus direitos e da sua liberdade. Essa é uma das declarações mais ofensivas e infelizes já dirigidas ao povo baiano”, disse.
Confira na íntegra:
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A fala de Caiado foi feita no domingo (26/7), durante o evento que oficializou sua candidatura ao Palácio do Planalto e a do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, como candidato a vice-presidente, em São Paulo. Ao comentar a composição de seu palanque na Bahia, o ex-governador declarou:
“Com Caiado e ACM eleitos, o povo baiano vai se sentir alforriado.”
No estado, o candidato goiano conta com o apoio de ACM, principal adversário de Jerônimo na disputa pelo governo estadual. Segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (29/7), os dois aparecem em situação de empate técnico na corrida eleitoral.
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Jerônimo associa Caiado ao bolsonarismo
O governador também afirmou que Caiado enxerga a população baiana como “escravizados a serem alforriados” e defendeu que, para disputar a Presidência, o ex-governador deve respeitar o estado e seus moradores.
A expressão remete à alforria, documento que concedia liberdade a pessoas escravizadas. A Bahia tem cerca de 80% da população autodeclarada negra. No início de julho, Caiado já havia utilizado o mesmo termo ao afirmar que, se eleito presidente, iria “alforriar” as favelas do Rio de Janeiro.
Em tom político, Jerônimo ainda associou Caiado e ACM Neto ao bolsonarismo.
“Na Bahia não há escravos, Caiado. Há um povo livre, que nunca aceitou viver de joelhos, que enfrentou a escravidão histórica, o autoritarismo e disse não ao bolsonarismo que você e ACM Neto apoiaram e agora fingem criticar. Mas a Bahia sabe que, no final, vocês acabam sempre juntos”, afirmou.
Réplica de Caiado
Também na terça-feira, por meio das redes sociais, Caiado respondeu às críticas e disse que sua declaração fazia referência à falta de segurança pública, e não ao sentido histórico da palavra.
Segundo ele, a expressão foi usada para defender a liberdade de quem “não consegue mais ir e vir por causa da violência”. O presidenciável ainda ironizou a reação de Jerônimo, afirmando que o governador tentou “dar uma aula de dicionário”, e sustentou que o cenário atual representa uma “escravidão moderna”.
Confira:
Enquanto o governador da Bahia tenta me dar aula de dicionário e fazer lacração eleitoreira, o povo segue refém do crime organizado. Segundo um estudo da Universidade de Cambridge, mais de 60 milhões de brasileiros vivem sob a influência do narcotráfico. O problema não é…
— Ronaldo Caiado (@ronaldocaiado) July 28, 2026
Ainda nessa terça, em entrevista exclusiva ao Metrópoles, Caiado ampliou as críticas às gestões petistas na Bahia e no Ceará. Ao comentar os governos de Jerônimo Rodrigues e de Elmano de Freitas (PT), afirmou: “O PT é complacente com o narcotráfico. Eles convivem, eles se alimentam. Um se beneficia do outro.”

