No programa do Noblat, a bancada analisou como o presidente da Argentina, Javier Milei, virou a principal “tábua de salvação” de Flávio Bolsonaro para tentar disfarçar o isolamento político na convenção do PL.
Sem conseguir fechar vice nem coligações com o Centrão, a oposição apelou ao líder argentino para encorpar o evento. Contudo, ao subir ao palanque, Milei extrapola o apoio partidário e dispara ofensas diretas ao presidente Lula e ao Supremo Tribunal Federal, inflamando a militância. A ingerência explícita nos assuntos internos do país desatou uma crise diplomática imediata.
A despeito da recepção pomposa organizada pelo governador Tarcísio de Freitas – que estendeu um tapete azul e concedeu a Milei a Ordem do Ipiranga -, o espetáculo não evitou o vexame na convenção. Formado majoritariamente por cabos eleitorais de candidatos locais, o público começou a ir embora assim que os postulantes regionais discursaram, deixando Flávio diante de um Pacaembu menos empolgado antes mesmo de ele começar o seu pronunciamento.
Para completar o clima de desarranjos no clã, o deputado Nikolas Ferreira faltou ao evento alegando ter ficado “preso” em Belo Horizonte – justificativa vista como cascata pela bancada – e, no vídeo gravado para se desculpar, ainda cometeu um ato falho ao citar as “rachadinhas”, reacendendo o fantasma do escândalo de gabinete que assombra o senador.
Enquanto a Esplanada reagiu com irritação aos ataques do argentino – com o Ministério da Fazenda chegando a chamar Milei de “palhaço” -, o presidente Lula preferiu o pragmatismo e a altivez.
Ao ser questionado sobre o “show” do argentino após agenda com o presidente da Coreia do Sul, Lula reagiu com desdém para não inflar a cortina de fumaça criada pela oposição, deixando transparecer o profundo incômodo com o episódio, mas sem dar ao rival o palco diplomático que ele buscava.

