Um torcedor mirim do Atlético-GO, que tem espectro autista, teria sido impedido de entrar no estádio Antônio Accioly, em Goiânia (GO), na noite desta segunda-feira (27/7). O motivo seria o uso de um short verde, cor alusiva ao principal rival do clube goiano.
Em entrevista à Bandeirantes FM Goiânia, o avô da criança mostrou indignação após o neto ser barrada nas catracas do estádio: “Ele foi barrado por estar vestindo um short na cor verde escura. Ele está com o uniforme do Atlético-GO e com crachá de autista. Pra ele não voltar triste pra casa, tive que comprar um short na cor preta para ele poder entrar”, disse.
“Me disseram que verde não pode entrar aqui, mas isso não justifica. Vai tirar os torcedores por causa da cor da roupa? Ele está com o crachá de autista, com a camisa do Atlético-GO, é uma criança. Todo mundo sabe que ele é autista e isso é uma sacanagem”, completou o avô do jovem.
Ainda segundo a emissora goiana, na entrada do estádio Antônio Accioly há uma placa informando os itens proibidos de entrar com os torcedores, como capacetes, rádios de pilha, entre outros. Porém, nesta lista, não há informações relacionadas à proibição de cores aversas aos uniformes do clube sediante, neste caso, vermelho e preto.
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O que diz a Lei?
De acordo com a Lei N.º 14.597/2023, chamada de Lei Geral do Esporte, o Artigo 158, que trata das condições de acesso e de permanência do espectador nas arenas esportivas, não conta com orientações sobre cor de vestimentas de clubes rivais.
O item IV da Lei diz que não se deve portar ou ostentar cartazes, bandeiras, símbolos ou outros sinais com mensagens ofensivas, ou entoar cânticos que atentem contra a dignidade da pessoa humana, especialmente de caráter racista, homofóbico, sexista ou xenófobo.
O outro lado
Em entrevista coletiva após o fim da partida vencida pelo time goiano por 3 x 1, frente ao Operário-PR, o presidente do Atlético-GO, Adson Batista, deu uma declaração a respeito do assunto. Para o dirigente, o bom senso deveria ter sido utilizado para casos como esse.
“Teve até uma situação aí que é protocolo do Atlético. Aqui não vai entrar com camisa dos outros times. Agora, se o cara tiver com um short verde ou que seja qualquer outra cor, é bom senso. Nós liberamos todo mundo. Quer saber de uma coisa? Eu nem sabia disso. Aí vem uns idiotas em redes sociais, já tirando o foco da grande vitória do Atlético. Tem nada disso, aqui nós queremos todo mundo. O Atlético vai ciscar sempre pra dentro. Nada pra fora”, alegou o dirigente.
Questionado novamente, Adson Batista pediu desculpas pela situação e disse que a proibição era apenas uma questão de segurança, com o objetivo de evitar confusão no estádio.
“Depois que eu fiquei sabendo, mandei liberar um monte de gente entrou pra dentro. Isso é um absurdo, falar que a cor da roupa vai inviabilizar. O que não pode, para evitar briga, é entrar com a camisa do Vila Nova e do Goiás, vai dar problema. Eu quero evitar isso. Tenho muitos amigos que torcem pro Goiás, pro Vila e somos amigos. Eu sou torcedor do Atlético. Isso é uma bobagem. Peço desculpas pra qualquer pessoa porque isso, normalmente, não parte de mim. É só para tirar a questão da violência”, ressaltou o presidente.
O Atlético-GO venceu o Operário por 3 x 1, com gols de Gustavo Coutinho, Geovany Soares e Marrony. Boschilia descontou para o time paranaense. Com a vitória, o Dragão Goiano assumiu a sétima posição do Brasileirão Série B, com 31 pontos.

